Migração legal de trabalhadores estrangeiros reduziu em um terço desde 2020

Se a tendência não se reverter, os EUA terão sérias dificuldades para ocupar as vagas na indústria e se recuperar da crise causada pela pandemia

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Governo dos EUA revela que cota de vistos de trabalho H-1B não estão sendo preenchidas anualmente, enquanto empregadores precisam de mais mão de obra (Imagem: immigrationhelp.org)
Governo dos EUA revela que cota de vistos de trabalho H-1B não estão sendo preenchidas anualmente, enquanto empregadores precisam de mais mão de obra (Imagem: immigrationhelp.org)

A imigração legal relacionada com o trabalho foi reduzida em um terço desde 2020, gerando uma preocupante escassez de mão de obra estrangeira nos Estados Unidos que detém o crescimento econômico após a pandemia.

Essa foi a conclusão de um relatório publicado pelo site The Conversation, indicando ainda que a falta de trabalhadores estrangeiros se soma ao fato de que os americanos estão tendo menos filhos e a mão de obra do país está envelhecendo.

Devido a esses fatores, “muitos empregadores na manufatura, na aviação e em outros segmentos importantes na produção nacional têm problemas para encontrar empregados em número suficiente”.

O relatório detalha que a diminuição da distância entre a procura e a oferta de mão de obra já estava se revelando em 2017. No ano seguinte, a economia americana tinha cada vez mais vagas do que trabalhadores desempregados.

Em 2020, devido à pandemia do coronavírus, “isto foi ampliado porque mais pessoas morreram por causa da covid-19, aumentou o número de aposentados ou pelo abandondo do mercado de trabalho por diversas causas de muitos trabalhadores”.

Em julho deste ano, o relatório aponta que os efeitos da pandemia nos locais de trabalho diminuíram e se constatou que “os EUA tinha 11,2 milhões de postos de trabalho disponíveis, mas apenas 5,7 milhões de desempregados disponíveis para ocupar estas vagas”.

Cerca de 45 milhões de pessoas que vivem nos Estados Unidos (cerca de 14% da população) nasceram no Exterior (a maioria no México). Assim, estima-se que um de cada seis trabalhadores americanos seja imigrante.

O relatório assinala que alguns desses trabalhadores estrangeiros “estão empregados legalmente de forma temporária com uma diversidade de vistos que lhes permitem obter trabalhos que vão de software designers até colhedores de maçãs”.

Entre os disponíveis, se incluem 65 mil vistos H-1B por ano para trabalhadores profissionais com diploma universitário e uma cota adicional de 20 mil para formados em universidades americanas com mestrado, e os vistos tipo H-2A e H-2B para trabalhadores temporários na agricultura e na pecuária e no setor de serviços, entre eles jardineiros, pessoal de hotelaria e turismo.

Em alguns casos, como o visto H-1B, os titulares destes vistos concedidos pelos empregadores, os beneficiários podem ter acesso à residência legal permanente (green card) se cumprirem com determinados requisitos.

A classificação H-1B pode ser outorgada por até seis anos no máximo, em dois períodos de três anos cada um. O último pode ser estendido se, antes do encerramento do quinto ano de permanência, o empregador iniciar um processo de residência legal permanente (green card).

Já os vistos H-2A e H-2B são permissões temporárias por um ano com duas extensões pelo mesmo período de validade, ao final dos quais o trabalhador deve regressar ao seu país de origem.

Com relação à quantidade de vistos de imigrante disponíveis para o ano fiscal 2022, requisito básico para obter um green card, o USCIS explicou que o limite anual de vistos baseados em empregos disponíveis para o ano fiscal 2021 (autorizados pelo Congresso) foi de 262,288, quase o dobro do total anual típico.

O Departamento de Estado (DOS) publica os números oficiais do uso de vistos em seu Relatório do Escritório de Concessão de Vistos. No total, foram usados 195,507 vistos de imigrante baseados em emprego no ano fiscal 2021.

O relatório assegura que o DOS emitiu 19,779 vistos de imigrante baseados em emprego, e o USCIS utilizou 175,728 vistos de inmigrante baseados em emprego através do ajuste de status, 52% acima do que a média antes da pandemia. Apesar disso, 66,781 vistos não foram usados no final do ano fiscal 2021.

A esse número se somou a cota de vistos de imigrante designadas para o ano fiscal 2022, estimadas en 260 mil. Se esta quantidade de vistos não forem designadas antes de 30 de setembro, serão perdidas, adverte o governo.