Imigrantes presos pedem máscaras de proteção ao governo

Em prisão do ICE na Califórnia, detentos improvisam máscaras com camisas depois que 12 pessoas testaram positivo para o coronavírus na unidade

0
932
Prisão da imigração no Texas (Foto Patrick Feller - Flickr)

Imigrantes indocumentados presos pelo US Immigration and Customs Enforcement (ICE) estão pedindo equipamentos de proteção contra o coronavírus dentro das unidades prisionais. Segundo informações do ICE, 72 presos já testaram positivo para a COVID-19 em prisões da imigração em 12 estados, mas entidades pró-imigrantes afirmam que este número é bem maior.

Uma detenta de El Salvador, presa por atravessar a fronteira ilegalmente, está cobrindo o rosto com uma camisa depois que outra detenta testou positivo para o coronavírus. Ela afirma que não há equipamentos de proteção suficiente para todos os presos. “A impressão que eu tenho é que não vamos sair vivos daqui”, disse Elsy à Associated Press.

Apenas no Otay Mesa Detention Center, na Califórnia, 12 pessoas têm a doença e diversas outras estão isoladas em quarentena.

“Cadeias, prisões e instalações de detenção de imigração estão superlotadas. Eles estão lotados demais para as pessoas praticarem distanciamento social, não são higiênicos e não têm instalações médicas para gerenciar os cuidados intensivos”, disse Chris Beyrer, professor e epidemiologista da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins ao The Intercept.

O ICE alega que já colocou em liberdade 3.2 mil pessoas até o momento, incluindo maiores de 60 anos e portadores de doenças pré-existentes. A entidade responsável pela unidade no Texas nega que faltem máscaras de proteção.

“Os imigrantes detidos não precisam estar em um centro de detenção para serem monitorados pelo ICE”, disse Margaret Cargioli, advogada gerente do Centro de Advocacia de Defensores de Imigrantes. “Essa pandemia só pode ser gerenciada adequadamente se todos estiverem saudáveis e todos estiverem em um ambiente seguro”.

Hoje, 33.800 estão sob custódia do ICE, número que era de 37 mil antes do início da pandemia. O órgão está priorizando a prisão de “imigrantes indocumentados que ofereçam perigo às comunidades”. (Com informações da AFP)