Estados Unidos

Implante cerebral permite que paciente paralisado diga ‘eu te amo’ apenas com o pensamento

Ele faz parte do estudo VOICE, conduzido pela Neuralink, empresa de tecnologia neurocomputacional fundada por Elon Musk

O chip implantado no cérebro converte sinais elétricos em áudio, permitindo a recomposição da voz sem a necessidade de digitação ou seleção visual de caracteres (Foto: Freepik)
O chip implantado no cérebro converte sinais elétricos em áudio, permitindo a recomposição da voz sem a necessidade de digitação ou seleção visual de caracteres (Foto: Freepik)

Um paciente impossibilitado de falar em decorrência de uma paralisia utilizou apenas o pensamento para verbalizar a frase “eu te amo” à sua parceira. Ele faz parte do estudo VOICE, conduzido pela Neuralink, empresa de tecnologia neurocomputacional fundada por Elon Musk. A voz gerada pelo sistema de inteligência artificial recriou o timbre original do paciente a partir de registros gravados antes do diagnóstico da doença.

Enquanto as etapas iniciais dos testes se concentravam no controle motor de cursores e telas, os testes atuais priorizam a decodificação da intenção articulatória da fala diretamente a partir do córtex cerebral. O objetivo é restaurar a comunicação de pessoas impossibilitadas de vocalizar em decorrência de esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou de acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Os resultados somam-se a uma série de estudos acadêmicos e clínicos em andamento nos Estados Unidos na área de neuropróteses da fala. Pesquisas realizadas por cientistas da Universidade da Califórnia em Davis, da Universidade de Stanford e da Universidade Brown demonstram o desenvolvimento de decodificadores neurais capazes de alcançar até 62 palavras por minuto, aproximando o ritmo proporcionado pela tecnologia daquele observado em uma conversação convencional.

Outros cientistas integraram decodificadores neurais a avatares digitais capazes de reproduzir na tela o áudio sintetizado acompanhado de expressões faciais simuladas. O objetivo dessas abordagens é restaurar não apenas a transmissão de palavras, mas também a carga emocional e a linguagem não verbal presentes nas interações pessoais.

Empresas e instituições ressaltam que os dispositivos permanecem em fase experimental e ainda não contam com aprovação das autoridades regulatórias, como a Food and Drug Administration (FDA). A aplicação em larga escala depende da continuidade das avaliações de segurança, da durabilidade dos eletrodos e da reprodutibilidade dos resultados em diferentes perfis de pacientes.

Com informações de NBC News, NewBytes e Exame.

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