Indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada dos EUA é adiada por falta de apoio no Senado

Levantamento mostra que 1/3 dos senadores querem boicotar indicação de Eduardo Bolsonaro à embaixada americana e governo decide adiar a votação por tempo indeterminado

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Eduardo está cotado para assumir a embaixada brasileira em Washington DC (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)
Eduardo Bolsonaro não vai mais ser indicado para embaixador nos EUA (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

A decisão sobre a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à embaixada brasileira dos Estados Unidos em Washington ficou para depois. Quase três meses após ter sido anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro, a indicação ainda não oficializada pelo Executivo, e está longe de ter os votos necessários para ser aprovada no Senado.

Um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostra que o filho do presidente tem apenas 15 dos 41 votos necessários – mesmo número registrado em agosto.

Vinte e sete dos 81 senadores consultados disseram que vão votar contra a indicação. Além destes, oito afirmaram que estão indecisos e 31 optaram por não responder. Foi o caso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A assessoria do senador – que tem trabalhado pela aprovação do deputado – afirmou que ele aguardará o resultado da sabatina para tomar sua decisão.

Na primeira edição do placar, no início do agosto, Alcolumbre informou que não iria votar, ainda que o regimento permita. Naquele momento, o levantamento do Estado apontava que havia 15 votos declarados a favor da indicação e 29 contra. Outros 36 senadores não revelaram como votariam – 29 não quiseram responder e 7 se declararam indecisos.

Os números dos dois levantamentos são semelhantes – além da posição de Alcolumbre, a única mudança foi a migração de dois senadores declaradamente contrários para o grupo dos que não revelam o voto.

Caso seja oficializada a indicação, Eduardo terá de ser sabatinado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Os membros da comissão então decidem, em votação secreta, se aprovam ou não a indicação. Uma vez aprovado, o nome do indicado é encaminhado para apreciação do plenário da Casa, também em votação secreta. São necessários ao menos 41 votos favoráveis.

O presidente Jair Bolsonaro disse, em entrevista ao Estado, que a indicação de Eduardo ainda não tem data para ser oficializada. “Deixa passar a votação da reforma da Previdência. Não tem pressa não”, disse. Em agosto, após a divulgação do levantamento do Estado, Bolsonaro afirmou que aguardaria o “momento certo” para oficializar a indicação. No sábado, 5, ele minimizou o fato de, hoje, não ter os votos suficientes. “Ele se prepara melhor para enfrentar a sabatina, caso ele mantenha a ideia de ir para lá. Para mim seria interessante.”

Desde que foi anunciada, em 11 de julho – dois dias depois de Eduardo completar 35 anos, a idade mínima para um brasileiro assumir uma representação diplomática no exterior -, a indicação do filho do presidente para o cargo mais importante da diplomacia brasileira foi alvo de críticas de adversários, que a classificaram de nepotismo e questionaram a qualificação técnica do deputado. “A questão que deve ser posta é se ele está à altura de um posto que já foi ocupado por Joaquim Nabuco”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Eu acho que não está. Se ele não fosse filho do presidente, quem cogitaria nomeá-lo?”, questionou. (Com informações da Exame)