Uma nova ferramenta de inteligência artificial está revolucionando a medicina preventiva e pode mudar a forma como o câncer de pulmão é identificado em todo o mundo. Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em parceria com o Mass General Brigham Cancer Institute, desenvolveram uma tecnologia que prevê o risco de desenvolvimento desse tipo de tumor anos antes do aparecimento evidente da doença nos exames tradicionais.
A inovação, chamada Sybil, utiliza um modelo avançado de aprendizado profundo para analisar tomografias computadorizadas e identificar padrões biológicos invisíveis ao olho humano. O sistema foi treinado com dezenas de milhares de exames de pacientes para reconhecer sinais precoces associados ao desenvolvimento do câncer de pulmão.
Diferentemente dos métodos tradicionais, que dependem principalmente do histórico do paciente, a solução consegue analisar apenas um exame e gerar uma avaliação de risco que estima a probabilidade de desenvolvimento da doença em até seis anos.
A inteligência artificial alcançou índices de precisão entre 86% e 94% nos estudos iniciais, tornando-se uma das plataformas de predição oncológica mais promissoras já desenvolvidas para rastreamento pulmonar. Além disso, ela pode reduzir falsos positivos e ajudar médicos a definir estratégias mais personalizadas de acompanhamento e prevenção.
Hoje, os protocolos tradicionais de rastreamento do câncer de pulmão nos Estados Unidos recomendam exames principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico intenso de tabagismo. O problema é que metade dos pacientes diagnosticados não se enquadra nesses critérios.
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo, e um dos principais desafios é justamente o diagnóstico tardio. Em muitos casos, os sintomas aparecem apenas em estágios avançados, reduzindo significativamente as chances de tratamento eficaz.
