Itamaraty localiza brasileiro detido na Venezuela

Em nota, Brasil pede que governo responda aos pedidos de informação sobre Jonatan Moisés Diniz, que teve a prisão divulgada no dia 28

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O brasileiro Jonatan Moisés Diniz, de 31 anos, que foi preso em Caracas acusado de conspirar contra o governo de Nicolás Maduro
O brasileiro Jonatan Moisés Diniz, de 31 anos, que foi preso em Caracas acusado de conspirar contra o governo de Nicolás Maduro (Reprodução Jonatan Diniz/Facebook)

DA REDAÇÃO (com O Globo) – O governo brasileiro finalmente localizou Jonatan Diniz, preso em 28 de dezembro na Venezuela a acusado publicamente por Diosdado Cabello, membro da Assembleia Nacional Constituinte e figura de peso dentro do chavismo, de promover atividades contra o governo Nicolás Maduro. Segundo fontes brasileiras, Jonatan está detido na sede central do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), em Caracas. Esse foi o primeiro lugar onde as autoridades diplomáticas brasileiras procuraram Jonatan, mas num primeiro momento agentes do Sebin negaram que ele estivesse no local.

 

O governo venezuelano só confirmou o lugar onde Jonatan está detido após uma solicitação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Na última quinta-feira, o Itamaraty afirmara em nota que as autoridades da Venezuela ainda não haviam passado informações sobre a situação do brasileiro. A informação sobre a detenção de Jonatan na sede central do Sebin foi dada às autoridades brasileiras após a divulgação do comunicado do Itamaraty.

 

O governo Maduro ainda não comunicou oficialmente qual é a acusação contra Jonatan. O brasileiro, de 31 anos, mora nos Estados Unidos e viajou ao país sul-americano para fazer trabalhos de caridade. O número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, disse publicamente que ele dirigia uma ONG chamada Time to Change the Earth, que serviria de fachada para promover atividades contra o regime nas redes sociais e nas ruas da Venezuela.

Segundo o governo, a organização entregaria alimentos e itens básicos a moradores de rua para, na verdade, obter financiamento em moeda nacional e estrangeira para grupos que o governo venezuelano classifica de terroristas. Ele seria parte ainda do grupo “Warriors of Angels” (“Guerreiros dos Anjos”, em português) e estaria sendo punido por publicar na internet imagens dos protestos contra o regime de Maduro, que tomaram as ruas da Venezuela por vários meses neste ano.

Cabello sugeriu que a CIA poderia estar envolvida nas supostas atividades do brasileiro contra o regime, com o objetivo de “identificar objetivos estratégicos e financiar terroristas”. Segundo a autoridade, que é também membro da Assembleia Constituinte de Maduro e vice-presidente do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), na operação de detenção os policiais apreenderam 40 camisetas e bonés de cor vermelhas, identificadas com o nome da ONG Time of Change the Earth.

O governo Maduro é frequentemente acusado de perseguir aqueles que se expressam contra o seu regime, incluindo quem regulamente publique conteúdos críticos à hegemonia chavista nas redes sociais. O Itamaraty informou que presta auxílio à família de Jonatan.