Luís Miranda acusa líder do governo Bolsonaro em esquema de compra de vacinas superfaturadas no Brasil

Deputado federal que morou na Flórida depôs na CPI que investiga irregularidades nas ações do governo durante a pandemia

0
1138
Luis Miranda morou durante algum tempo na Flórida, onde ficou popular através de seu canal do Youtube, vendendo fórmulas de prosperidade (REUTERS/Adriano Machado)

Convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso brasileiro que investiga supostas irregularidades no governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de covid-19, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) apareceu na comissão do Senado usando um colete à prova de balas e com uma Bíblia na mão.

O deputado e o irmão Luis Ricardo Miranda denunciaram um esquema de compra irregular pelo ministério da Saúde da vacina contra covid-19 Covaxin, fabricada na Índia. Luís Ricardo, chefe do setor de importações do Ministério, levantou suspeitas sobre o teor do contrato, que previa o pagamento de $1.6 bilhão de reais (cerca de $324 milhões) ao laboratório Bharat Biotech, intermediado pela empresa brasileira Precisa Medicamentos.

Ao ser alertado das irregularidades detectadas por Luís Ricardo, o irmão Luis Miranda afirmou no depoimento à CPI que levou a denúncia ao presidente Jair Bolsonaro, que teria dito ao deputado que a responsabilidade no caso era do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas-PR), e que estaria de mãos amarradas para agir: “Você sabe quem é, né? Que ali é foda, se eu mexo nisso aí, já viu a merda que vai dar. Isso é fulano, vocês sabem que é fulano, né?”, disse Bolsonaro no encontro, segundo Miranda.

A compra da Covaxin foi anunciada por Bolsonaro em janeiro, depois que o presidente recusou diversas ofertas diretas da fabricante americana Pfizer e do Instituto Butantan. No contrato, intermediado pela empresa brasileira Precisa Medicamentos, constaria um valor 1,000% acima do preço por dose anunciado pela Bharat Biotech, o fabricante indiano. Segundo a denúncia, o Brasil pagaria $15 por dose, em vez dos $1.34 do valor normal. O total sairia por 1.6 bilhões de reais, dos quais R$500 milhões iriam para a Precisa. A vacina indiana não tem seu uso aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e na época do contrato não havia sido ainda homologada pela Organização Mundial de Saúde.

Ricardo Barros negou pelas redes sociais qualquer envolvimento em irregularidades na transação. “Não participei de nenhuma negociação em relação à compra das vacinas Covaxin. Não sou esse parlamentar citado. A investigação provará isso”, disse o líder do governo.

Luís Miranda é um dos mais ferrenhos apoiadores de Bolsonaro, sendo bem conhecido da comunidade brasileira da Flórida. Morou alguns anos nos Estados Unidos, onde ficou popular através de seu canal do YouTube, vendendo fórmulas de sucesso nos negócios. Foi acusado de fraude por vários seguidores e clientes, que se disseram lesados pelos esquemas montados para ganhar dinheiro fácil nos EUA. Uma reportagem do programa de TV Fantástico, da Rede Globo, mostrou pelo menos 25 pessoas, no Brasil e nos EUA, que teriam sido enganadas por Miranda e arcado com grandes prejuizos. Graças à popularidade alcançada pelo seu canal do YouTube, elegeu-se deputado federal em 2018 e voltou para o Brasil.

Em 2018, Miranda deu uma entrevista à rádio AcheiUSA, no auge da sua atuação nos EUA.