Lutadora de jiu-jitsu é barrada pela Imigração em Los Angeles e é impedida de disputar campeonato

Sábatha Lais é faixa-preta da equipe Ryan Gracie e foi impedida de entrar nos EUA

0
6685
Sábatha foi barrada na entrada dos EUA e impedida de lutar o campeonato (Foto Combate- Extra - divulgação)
Sábatha foi barrada na entrada dos EUA e impedida de lutar o campeonato (Foto Combate- Extra - divulgação)

A brasileira Sábatha Laís, faixa-preta de jiu-jitsu da equipe Ryan Gracie, viajou para os Estados Unidos para disputar o maior campeonato da modalidade na Califórnia pela quarta vez seguida, mas desta vez foi barrada no Aeroporto de Los Angeles e teve que voltar ao Brasil.

Em entrevista ao portal Tatame, a lutadora relatou que passou por um “dos piores traumas da sua vida”, quando viajou em maio para disputar o campeonato. Ela passou mais de 20 horas presa em uma sala no aeroporto, até ser colocada de volta em um voo para Santiago, no Chile, até chegar ao Brasil, sempre, segundo ela, escoltada por oficiais.

O trauma, segundo a faixa-preta, foi grande. Não apenas do ponto de vista financeiro e psicológico, como também em relação ao campeonato. Após uma grande participação no Brasileiro de Jiu-Jitsu, que aconteceu em maio, em Barueri (SP), onde ela chegou na final do peso e do absoluto, Sábatha era uma das favoritas ao ouro na Pirâmide de Long Beach.

“Eu nunca tinha passado por isso, nem perto, foi a primeira vez. Já tinha ido três vezes para o Mundial e nunca tinha acontecido isso comigo. De trauma foi um dos piores que já me aconteceram. É uma coisa que nunca vai sair da minha cabeça”.

“Chegando aos Estados Unidos, naquela primeira triagem da imigração, eu já fui pega. Eles me fizeram as perguntas normais e disseram que eu precisaria falar com um oficial. Então, me levaram para uma sala que já é da imigração. Lá esperei por uns 40 minutos até falar com um oficial. Ele me chamou e fez as mesmas perguntas. Respondi tudo. Disse que estava indo lutar o Mundial de Jiu-Jitsu, e ele falou que não, que era mentira. Eu falei que tinha como provar, que tinha inscrição feita, tudo certinho. Ele pediu para ver, eu entrei no meu e-mail e mostrei a confirmação da IBJJF, registros, etc. Nisso ele pegou meu celular e travou. Lá já começou o terror. Retiraram tudo de mim. Pegaram minha mala, contaram meu dinheiro, me revistaram e me deixaram lá. Na sala só tinha água, um banheiro horrível e uma cama tipo ‘Médico sem Fronteiras’, com mulheres dormindo. Era uma sala muito fria… Ali, vendo aquela situação, já imaginei que eu estava ferrada. Durante o tempo que fiquei lá me chamaram várias vezes para responder as mesmas perguntas, mas faziam de forma diferente para ver se eu cairia em contradição, e nessa fiquei durante 20 horas”, disse, complementando.

“Eles (oficiais) são extremamente grossos, extremamente hostis. Em um dos momentos da entrevista o oficial me chamou e falou em espanhol até, ‘olha, parabéns’. Achei que ele estava me zoando, perguntei a razão dos parabéns, e ele falou: ‘Eu vi as suas lutas, olhei no seu celular, no YouTube, você luta muito bem, parabéns’. Nessa hora não contive a emoção e chorei, tentando um último pedido para ir lutar, mas o oficial olhou na minha cara e disse ‘não, você não é bem-vinda no meu país’. Foi um golpe muito duro”.

A lutadora, então, foi colocada em um voo para Santiago, no Chile, e depois para o Brasil.

Vistos negados a atletas

Em suas redes sociais, a Dream Art Project, que mandaria pelo menos 14 atletas para o Mundial disputado na Califórnia, postou que oito atletas tiveram o visto negado para os Estados Unidos.  “De 14 atletas do Dream Art que aplicaram para o visto americano, 8 foram negados. E com isso 8 medalhistas do Campeonato Brasileiro (5 campeões, 3 vices) não lutarão o Mundial. E esta é uma dura realidade de TODAS equipes do Brasil. Sabem quantos esportes no planeta, além do Jiu-Jitsu, realizam seu campeonato Mundial em apenas uma sede? NENHUM. E lá se vão 13 anos de uma prática que nasceu virtuosa, mas que vai contra os princípios do esporte”, escreveu a entidade, reclamando de o campeonato ser realizado em um local em que está ficando cada vez mais complicado conseguir o visto para lutar.

“Como escolher sempre um país-sede que tem um problema crônico de aceitação de entrada? Como a CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu) não atua de forma frontal para ajudar? Como realizar um torneio que a primeira vantagem competitiva que um atleta tem é… ter o visto? Como não aproveitar os 109 países que o Brasil tem reciprocidade”, questiona.