Médicos alertam para outras síndromes desencadeadas pelo coronavírus

Inflamações em órgãos, doenças autoimunes em crianças e desenvolvimento de coágulos sanguíneos estão entre os quadros mais graves da COVID-19

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Maior parte das hospitalizações é de não vacinados (Foto U.S. Army photo by Patricia Deal)

Especialistas alertam que a COVID-19 vai muito além de uma infecção no sistema respiratório. A doença que já matou 293 mil pessoas em todo o mundo e infectou 4.2 milhões pode causar inflamações severas e outras síndromes graves.

Médicos que tratam pacientes com coronavírus afirmam que estão vendo diversas outras doenças associadas à COVID-19, incluindo obstrução de veias e artérias, falência de órgãos, inflamações no coração e outras doenças autoimunes.

Segundo informações da CNN, um paciente de 38 anos que estava sendo tratado com coronavírus em New York, foi para casa por estar com sintomas leves. Ele foi diagnosticado em uma clínica de urgência e foi mandado para casa. Alguns dias depois, o paciente acordou com uma fraqueza nas pernas que o impediam de andar.

O cirurgião cardiovascular Sean Wengerter afirma que o homem foi diagnosticado com uma obstrução grave na artéria, que impediu o transporte de sangue para as pernas. “Essa é uma condição extremamente grave que pode matar entre 20% e 50% dos pacientes. É muito raro acontecer com uma pessoa de 38 anos”, explica o médico. O paciente passou por cirurgia de emergência e se recuperou.

“Não há dúvidas de que o vírus ataca as veias e isso significa que todo o corpo é afetado”, afirma o médico.

Outro sintoma observado em pacientes é um inchaço nos dedos dos pés, possivelmente causado pela falta de circulação do sangue. “Doentes com o coronavírus têm observado os dedos vermelhos e pés inchados”, disse o pneumologista da Cleveland Clinic, Humberto Choi.

Síndrome rara em crianças

Em New York, 100 casos de “síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica” estão sendo investigados. A síndrome é uma resposta exacerbada do organismo que acaba por agredir o próprio corpo e que tem características semelhantes a outras condições, como as síndromes de Kawasaki e do choque tóxico. 

Um documento distribuído pelo Departamento de Saúde do Estado de New York alertou para possíveis indicativos desse problema: febre, sintomas abdominais, erupção na pele, miocardite e outras alterações cardiovasculares. Alguns casos, diz o texto, podem necessitar de tratamento intensivo. Essa síndrome, alerta o informativo, pode ocorrer dias ou semanas após a fase aguda da COVID-19. 

Marcelo Otsuka, coordenador do comitê de infectologia pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), diz que um dos pontos que já foram observados na infecção pelo coronavírus é a chamada “tempestade inflamatória”, ou seja, a reação que ele produz no nosso corpo. 

“Da mesma forma que vemos a tempestade inflamatória por conta da infecção, sabemos que algumas doenças ocorrem por autoimunidade. Isto é, o corpo agredindo o próprio corpo pela resposta imune exacerbada. Doenças como Síndrome de Kawasaki e Síndrome de Guillain-Barré acontecem em função dessa resposta. São situações um pouco mais raras e associadas a várias outras doenças desencadeantes”, explica o médico ao site GaúchaZH.  (Com informações da CNN e GaúchaZH)