Medida de Trump contra estudantes internacionais perde efeito

Estrangeiros com vistos F-1 e M-1 não estão mais ameaçados de deportação

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Harvard University (Foto: Wikimedia)
Harvard University (Foto: Wikimedia)

Os estudantes internacionais já podem respirar aliviados. Pelo menos por enquanto. Uma juíza federal de Massachusetts anunciou que a administração federal concordou em tornar sem efeito a regra que exigia que estrangeiros com vistos F-1 ou M-1 deixassem o país, caso estivessem matriculados em escolas com aulas 100% online. A medida, anunciada por Trump na primeira semana de julho como forma de forçar o retorno às classes presenciais no outono, apesar da pandemia, afetaria milhares de pessoas.

Estes estudantes não teriam mais seus vistos renovados e estariam sujeitos a um processo de deportação, a partir de agosto. No entanto, a juíza federal Allison D. Burroughs anunciou a decisão do ICE, durante uma audiência programada para discutir os detalhes de uma suspensão temporária da regra. O encontro, aliás, estava previsto para durar 90 minutos, mas terminou em menos de dois minutos, pois representantes do governo Trump chegaram a um acordo com as instituições de ensino.

Com isso, as condições voltam a ser como eram no dia 9 de março passado, quando o ICE emitiu um regulamento segundo o qual os estudantes com vistos temporários “podem continuar a avançar em um currículo completo, conforme exigido pelos regulamentos federais”. O resultado não poderia ser diferente: desde que a medida foi anunciada, no dia 6 de julho, várias universidades de peso, órgãos do poder público e entidades de defesa de imigrantes manifestaram descontentamento.

O caso chegou à Justiça após um processo movido pela Universidade de Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts contra o  Departamento de Segurança Interna (DHS – Homeland Security). Outras 200 instituições de ensino apresentaram documentos em diversas cortes, queixando-se da regra, e até grandes empresas, como Google, Facebook e Twitter, condenaram publicamente a ideia, que poderia causar danos irreparáveis à economia.

“Essa vitória pertence àqueles que disseram “basta”. Muitos defenderam os estudantes nas ruas e nas mídias sociais, mas todos lutamos por algo mais importante, que é a nossa força para mudar as políticas neste país”, afirmou Andrea Flores, vice-diretora de política de imigração da União das Liberdades Civis dos Estados Unidos. Para ela, a COVID-19 tem sido usada pelo atual governo para reforçar a agenda contra os imigrantes. Da mesma forma, Miriam Feldblum, diretora executiva da Aliança dos Presidentes de Ensino Superior e Imigração, disse que essa decisão é significativa, mas foi possível apenas “pelo poder transformador de nossa ação coletiva”.