Medida de Trump ameaça sobrevivência de milhões de pássaros no país

Governo mudou o tratado que protegia as aves de atividades da indústria que provocam a morte massiva desses animais todos os anos

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As aves nos EUA são protegidas pelo tratado de 1918 - Migratory Bird Treaty Act (foto: pixabay)
As aves nos EUA são protegidas pelo tratado de 1918 - Migratory Bird Treaty Act (foto: pixabay)

O governo Trump aprovou uma liminar nesta sexta-feira (27) que elimina a proteção federal de longa data que era dada às aves país.

Na prática, isso significa que as empresas que eventualmente causam a morte das aves para manter suas atividades não serão mais multadas conforme determina o tratado de proteção às aves migratórias dos EUA, Migratory Bird Treaty Act, de 1918.

Geralmente, essas empresas estão ligadas às indústrias de energia elétrica, cujas fiações eletrocutam milhares de aves diariamente; energia eólica cujas turbinas derrubam os pássaros ou os sugam para dentro das hélices, ou indústrias de petróleo que contaminam as águas intoxicando esses animais.

Um estudo da U.S. Fish and Wildlife Service estima que essas operações da indústria matam mais de 450 milhões de pássaros anualmente somente nos EUA e Canadá.

O próprio órgão reconheceu que o afrouxamento das multas pode ter um efeito muito negativo para a sobrevivência das aves.

“É uma etapa final que limita bastante a autoridade federal de processar indústrias por práticas que matam aves migratórias”, escreveu a U.S. Fish and Wildlife Service em seu website.

O governo Trump já havia proposto essa mudança na legislação anteriormente, mas um juiz federal em New York, em agosto, rejeitou a justificativa legal do Republicano.

Dois dias depois que a vitória de Biden foi anunciada, os assessores do atual presidente encaminharam novamente as mudanças no tratado para a Casa Branca, e agora deve entrar em vigor em 30 dias.

Trump estava “frenético para finalizar sua política de matar pássaros”, disse David Yarnold, presidente da National Audubon Society, em um comunicado na sexta-feira. “Restabelecer esta lei fundamental de 100 anos deve ser uma das principais prioridades de conservação para a administração Biden-Harris” e para o Congresso.