Mercado financeiro vê com desconfiança a eleição de Donald Trump

Bolsas despencam e dólar se valoriza frente ao real; dólar já chega a $3.50

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DA REDAÇÃO – O mercado não reagiu bem à vitória do magnata Donald Trump. Na sexta-feira (11), por exemplo, o dólar operava em forte alta em relação ao real, chegando a disparar mais de 5%. Mais cedo,  a moeda americana chegou a passar de R$ 3,50, o que forçou a intervenção do Banco Central e a moeda opera a R$ 3.40.

Segundo a Reuters, pesavam ainda no câmbio fluxos de saída de dólares e preocupações sobre o futuro político do presidente Michel Temer, após a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff ter entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “O externo predomina, mas aparecem notícias negativas e o investidor prefere desmontar sua posição e ver como vai ficar”, resumiu à agência um profissional da mesa de câmbio de um banco nacional.

A Bolsa de Valores brasileira fechou em queda de 1,4% na quarta-feira (9), refletindo o resultado das eleições americanas. O candidato republicano Donald Trump venceu a democrata Hillary Clinton, contrariando as expectativas do mercado.

A Bovespa abriu os negócios em queda e chegou a perder 3,68% do seu valor, mas reduziu as perdas ao longo do dia, assim como ocorreu com os mercados externos

Para entidades, vitória de Trump esfria acordos bilaterais com os EUA

Executivos da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliaram que a vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana deverá esfriar as negociações de acordos bilaterais que envolvam os Estados Unidos. Para a CEO da Amcham, Deborah Vieitas, os Estados Unidos deverão se tornar mais protecionistas, caso se concretize o discurso do candidato republicano em sua campanha eleitoral. No entanto, o país não deixará de ser um importante parceiro comercial brasileiro.

“Os mega acordos comerciais que estão pendentes de aprovação, como a Parceria Transpacífico e o acordo em negociação com a União Europeia, talvez tenham um certo esfriamento, já que as questões internas nos Estados Unidos devem dominar a agenda do novo presidente”, diz.

“Eu sei que isso [os grandes acordos] não será necessariamente a primeira prioridade, e que a perspectiva para nós chegarmos a um acordo bilateral de comércio com os Estados Unidos se torna ainda mais longínqua. Mas isso não vai fazer com que os Estados Unidos deixem de ser um parceiro comercial importante para o Brasil”, disse Vieitas.

Para a CEO da Amcham, a aproximação regulatória entre os dois países, que envolvem procedimentos regulatórios e de aduana, deve continuar a evoluir. Segundo ela, os investidores americanos também devem continuar a ter “cada vez mais apetite” no Brasil. “Entendo que haverá cada vez mais apetite dos americanos, e de outros investidores, conforme nós, no Brasil, pudermos ter o programa do presidente Temer tornando mais concreto e assim como a aprovação das principais reformas que ele propõe”, acredita.