Mortes por overdose de drogas na Flórida aumentaram 43% durante a pandemia, diz estudo

Maioria das vítimas tinha entre 35 e 44 anos e apresentava quadros preliminares de depressão, ansiedade e síndrome do pânico

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Estudo concluiu que a maioria das mortes foram causadas pelo uso abusivo de opioides (foto: flickr)
Estudo concluiu que a maioria das mortes foram causadas pelo uso abusivo de opioides (foto: flickr)

Durante o período de março a agosto de 2020, 55 pessoas morreram todos os dias na Flórida em decorrência do uso abusivo de drogas, de acordo com um estudo da Orlando Project Opioid, uma organização não governamental que atua em parceria com a University of Central Florida.

O número é 43% maior que o registrado no mesmo mesmo período de 2019, que contabilizou 35 óbitos diários.

Esses dados foram extraídos de vários relatórios de médicos legistas que são enviados ao estado regularmente. O levantamento também concluiu que a grande maioria das mortes são causadas pelo uso excessivo de opioides, um tipo de droga sintética.

“Muito simplesmente, esta é a maior crise de saúde pública da história(…) O número de indivíduos que morrem todos os dias, ou estão à beira da morte, é inconcebível. O uso de opioides reduziu a expectativa de vida na América e na Flórida”, diz o texto introdutório da pesquisa.

Os pesquisadores observaram que os números de 2020 coincidiram com os meses em que a pandemia de covid-19 impactou a população de forma mais intensa. Sendo que no mês de maio passado os casos de overdose quase dobraram em relação a 2019.

O Projeto Opioid entrevistou moradores do estado que lutam com dependência química e a maioria relatou que sua saúde mental piorou com situações como isolamento e perdas de empregos.

“A Flórida já apresentava um quadro desolador de mortes por overdose. Não tenho dúvidas que a pandemia tem relação direta com os picos deste ano”, disse Andrae Bailey, pesquisadora-chefe do projeto ao canal de comunicação NPR News.

Bailey disse que é preciso mais investimentos dos governos estadual e federal para programas de tratamento e equipes de emergência. Segundo o pesquisador, essas necessidades já eram crescentes antes da pandemia, “mas agora é mais importante do que nunca”.

O relatório indica que a maioria das vítimas fatais e não fatais de overdose tinham histórico de depressão, ansiedade, síndrome do pânico ou outros distúrbios emocionais. Pessoas na faixa etária de 35 a 44 anos compõem o grupo mais atingido.

O condado de Broward, no sul da Flórida, é o terceiro na lista de condados do estado que mais relataram mortes por overdose em 2020, com 263 casos.