Mulheres denunciam abusos sexuais em prisões do ICE

ICE divulgou que 1310 pessoas denunciaram abusos sexuais dentro das prisões da imigração entre 2013 e 2017, mas segundo entidades pró-imigrantes, o número é bem maior

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Em vídeo, mulheres denunciam abusos
Em vídeo, mulheres denunciam abusos

DA REDAÇÃO, COM NEW YORK TIMES – Em uma manhã de maio, Maria foi libertada da prisão Don Hutto Residential Detention Center no Texas, depois de ter pago fiança e ter sido autorizada a responder ao processo em liberdade e ir para a casa do irmão em Washington D.C. Depois de pegar seus pertences, Maria foi levada a até uma van ainda dentro do centro de detenção. Ela é natural da Guatemala.

O motorista da van e agente do ICE, identificado como Donald Dunn, deixou o presídio com Maria na van e parou o carro e um lugar no meio do nada. “Ele agarrou os meus seios, colocou sua mão dentro da minha calça, nas partes íntimas, minhas mãos estavam algemadas. Daí ele começou a se masturbar”, relatou Maria ao New York Times. Donald foi preso acusado de fazer o mesmo com outras mulheres.

O ICE é obrigado a enviar um agente do mesmo sexo do detento dentro de carros oficiais para transporte de presos, mas isso nem sempre acontece.

Em 2014, uma jovem de 19 anos estava presa em um centro de detenção na Pensilvânia com o filho de três anos. Ela ficou presa por sete meses e, durante a estadia, ela foi estuprada por um guarda. “Ele me ameaçou dizendo que eu seria deportada. Eu estava na prisão e ele era um agente de imigração. É como se eles te ordenassem a fazer algo e você tem que fazer”. A jovem é de Honduras e estava buscando asilo. O agente, segundo o advogado, prometeu à vítima que a ajudaria com seu processo. “Um dia eu estava tomando banho, ele entrou e tirou minhas roupas. Não pude fazer nada”.

Os casos relatados acima são apenas dois dos 1.310 casos reportados de abuso sexual dentro de prisões da imigração, segundo o próprio ICE. Mas entidades pró-imigrantes afirmam que esse número é bem maior. O ICE considera o número baixo diante do número de presos.

A maior parte das vítimas são mulheres que nunca foram presas antes, que não cometeram crimes e estão em busca de asilo.

“Nós vamos continuar com os olhos bem abertos porque sabemos que esse número de abusos é maior, disse a American Civil Liberties.

Assista ao vídeo do New York Times: