No Congresso, Papa pede fim da hostilidade aos imigrantes nos Estados Unidos

Criança mexicana se torna símbolo da causa ao furar bloqueio e entregar carta ao pontífice

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DA REDAÇÃO (com Agências) – “Não temos que ter medo dos estrangeiros, porque a maioria de nós é imigrante”, disse o Papa Francisco em discurso no Congresso Americano na quinta-feira (24) em que falou abertamente sobre o tema que divide democratas e republicanos. O Papa pediu o fim da “mentalidade de hostilidade” contra os imigrantes, falou também sobre o fundamentalismo religioso, a necessidade de proteger as pessoas mais vulneráveis e a luta pela igualdade na sociedade americana.

“Eu digo isso para vocês que são filhos de imigrantes ou que são descendentes de imigrantes. Neste continente, milhares de pessoas buscam uma vida melhor, com melhores oportunidades”, disse o Papa Francisco sobre imigrantes da América Central e América do Sul, afirmando que eles precisam ser tratados como pessoas que estão em busca de refúgio e não como pessoas que querem explorar os Estados Unidos economicamente.

Em um claro recado aos políticos que criticam o grande número de imigrantes indocumentados que estão nos EUA, o religioso continuou: “nós não podemos enxergar os imigrantes como números, mas como pessoas, vendo seus rostos e ouvindo suas histórias de vida, tentando fazer o melhor possível dessa situação”. Citando a Bíblia, o Papa Francisco disse, “vamos lembrar uma regra de ouro: faça aos outros, aquilo que gostaria que fizesse a você”.

Para ele, a crise dos refugiados é algo sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial, e o drama no continente americano representa “grandes desafios e decisões difíceis”. Para ele, é necessário não deixar-se intimidar por números, e adotar uma reposta que os trate de um modo sempre “humano, justo e fraternal”.

Francisco pediu vigilância contra qualquer tipo de fundamentalismo, e advertiu que “nenhuma religião é imune às diversas formas de aberração individual ou extremismo religioso”. “Combater a violência realizada em nome de uma religião, uma ideologia, ou um sistema econômico e, ao mesmo tempo, proteger a liberdade das religiões, das ideias, e das pessoas requer um delicado equilíbrio sobre o qual temos que trabalhar”, afirmou.

Menina de cinco anos fura bloqueio e entrega carta
Sophie Cruz, uma menina mexicana de origem indígena, de apenas 5 anos, entregou nesta quarta-feira (23) uma carta para o Papa Francisco, pedindo pela defesa dos direitos dos imigrantes.

A criança conseguiu furar o bloqueio de segurança durante o trecho percorrido pelo papamóvel nas ruas de Washington, com ajuda do pai, Raúl. Um segurança a colocaria de volta para dentro da área cercada, mas o próprio pontífice pediu que a levassem a ele.

Sophie Cruz entrega carta e camiseta ao Papa em Washington
Sophie Cruz entrega carta e camiseta ao Papa em Washington

Sophie foi levada no colo, ganhou um beijo e, quando a colocaram no chão, insistiu para entregar a carta e uma camiseta. No texto, várias organizações de defesa dos direitos dos imigrantes pedem para que o chefe da Igreja Católica interceda por eles, segundo o pai da menina, que revelou terem viajado de Los Angeles para Washington, apenas para tentar o contato.

“Estamos oprimidos pela violência, pelo racismo, pela má gestão do governo. Pedimos ao papa que interceda, não só pelos imigrantes mexicanos, mas também pelo restante dos latino-americanos, pelos europeus, por todos”, disse Raúl Cruz.

O Papa chegou aos Estados Unidos na terça-feira (23) para uma visita de seis dias, depois de passar três dias em Cuba, onde visitou Havana, Holguín e Santiago de Cuba.

Na Casa Branca, onde se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o papa se apresentou como “filho de família de imigrantes” e disse que o atual sistema gera milhões de excluídos.

Depois do percurso no papamóvel, Francisco voltou a falar sobre o tema e pediu para que os EUA acolham “sem medo” as pessoas de outras nacionalidades.