Noite inesquecível da NBA

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Kobe Bryant foi eleito quatro vezes como All-Star MVP (2002, 2007, 2009, 2011)
Kobe Bryant foi eleito quatro vezes como All-Star MVP (2002, 2007, 2009, 2011)

Antonio Tozzi

A noite de 13 de abril de 2016 certamente ficará marcada na memória dos fãs do esporte. Foi exatamente nesta data que ocorreram dois fatos inesquecíveis. Ou seja, assistimos pela TV a um desses momentos que perdurarão nos recordes do basquetebol e sobretudo na história do esporte mundial. Como se fosse planejado, os dois principais acontecimentos foram reservados para o final, começando a partir das 10:30 PM, no horário do Leste. E ambos na Califórnia! O primeiro deles foi a despedida de Kobe Bryant das quadras – algo que emocionou os torcedores de todos os clubes. E Mamba Black fez isto em grande estilo! Ele anotou 60 pontos na vitória de 101 a 96 do Los Angeles Lakers sobre o Utah Jazz no Staples Center, sendo aplaudido pelo ginásio lotado e por figuras de destaque do mundo artístico e esportivo.

Kobe Bryant e seus números

Aos 37 anos de idade, despediu-se da NBA – a maior e mais importante liga de basquete do mundo – Kobe Bryant. Seus números são impressionantes, conforme você pode conferir nesta coletânea de dados fornecidos pela NBA (National Basketball Association).

Quase 49 mil minutos em quadras de basquete dos Estados Unidos, sexto jogador com mais tempo na história da NBA;

33.643 pontos anotados, terceiro de todos os tempos na NBA, atrás apenas de Kareem Abdul-Jabbar (38,387) e Karl Malone (36,928);

1.346 jogos de temporada regular da NBA;

81 pontos marcados na vitória de 122 a 104 sobre os Toronto Raptors em 22 de janeiro de 2006, segunda mais alta na história da liga, somente atrás dos 100 pontos de Wilt Chamberlain obtidos em 1962;

60 pontos em sua despedida no dia 13 de abril de 2016;

50: Vinte e quatro jogos com pelo menos 50 pontos, terceiro na lista histórica atrás de Wilt Chamberlain (118) e Michael Jordan (31);

37: Nesta temporada converteu-se no primeiro jogador de 37 anos ou mais a anotar pelo menos 25 pontos em três jogos seguidos desde Michael Jordan, que fez isto em 2003, aos 40 anos;

24: O número de sua camisa atualmente, depois de ter usado no início a camiseta nº 8;

20: Temporadas com os Lakers, maior quantidade com apenas uma equipe na história da NBA;

18: Escolhas consecutivas para o All-Star Game (a sequência mais longa na história da NBA) e a maior quantidade para qualquer jogador somente atrás de Kareem Abdul-Jabbar com 19;

16: Aparições no jogo de Natal, maior quantidade na história da NBA;

15: Começo como titular no All-Star Game, maior quantidade na história da NBA;

13: Número de seleção global no Draft de 1996 por parte dos Charlotte Hornets;

11: Vezes eleito como All-NBA First Team, empatado com Karl Malone na lideração histórico;

9: Vezes eleito como NBA All-Defensive First Team, empatado com Kevin Garnett, Michael Jordan e Gary Payton;

5: Campeonatos da NBA, empatado com Tim Duncan do San Antonio Spurs como os jogadores ativos com mais títulos conquistados;

4: Vezes eleito como All-Star MVP (2002, 2007, 2009, 2011), empatado com Bob Pettit como os maiores ganhadores na história da NBA;

2: Vezes eleito como Finals MVP (2009, 2010)

1: Título no Concurso de Enterradas (NBA All-Star 1997 em Cleveland).

Alguém duvida que ele já se tornou um dos maiores craques do basquete mundial? E Oscar Schmidt foi um de seus ídolos, no tempo que o brasileiro atuava na Itália e Kobe era um garoto que acompanhava as partidas de seu pai, que jogava em outra equipe.

Feito incrível do Golden State Warriors

Falamos da despedida de Kobe Bryant, mas outro fato marcante foi o novo recorde estabelecido pelo Golden State Warriors. O time de Oakland, na baía de San Francisco, quebrou o impressionante número do Chicago Bulls, comandado por Michael Jordan & cia. Na temporada de 1995-96, a equipe da Wind City venceu 72 jogos e perdeu apenas 10. Impressionante, não? Pois bem, na quarta-feira (13) – 20 anos depois -, o time do imparável Stephen Curry bateu o Memphis Grizzlies por 125 a 104 e fechou a temporada regular de 2015-16 com a marca estupenda de 73 vitórias contra apenas 9 derrotas. Apesar do feito do Chicago Bulls, considero que este número é ainda mais impressionantes, dado ao equilíbrio existente na NBA atual, algo que não existia na época em que Michael Jordan jogava.

Curiosidades

Há pessoas que nasceram para ser protagonistas. Steve Kerr é uma delas. Pouco conhecido fora do círculo dos fãs de basquete, este americano nascido no Líbano já inscreveu seu nome entre os grandes da NBA. Basta lembrar que ele integrava a forte equipe do Chicago Bulls em 1995-96, sendo então um de seus principais reservas. Ou seja, aquele cara que entrava para fazer as cestas de longa distância, em função da precisão de seus arremessos. Fast forward para 2015-16. Ele é exatamente o técnico do Golden State Warriors que quebrou a marca do Bulls. Vale lembrar que ele assumiu o comando do time californiano na temporada passada, quando a equipe foi campeã da NBA após 40 anos. Ele até então não havia treinado nenhum time de basquete profissional. Vale destacar os brasileiros também. Leandro Barbosa estava na equipe campeã do Warriors na temporada passada e ainda continua contribuindo quando sai do banco. Neste temporada, porém, ainda ganhou a companhia de Anderson Varejão que deixou o Cleveland Cavaliers para inscrever seu nome entre os integrantes da equipe que detém o novo recorde de vitórias da NBA. Do lado do Los Angeles Lakers, o brasileiro Marcelinho Huertas também deixou seu nome para a posteridade por integrar a (fraca) equipe do Los Angeles Lakers na temporada de despedida de Kobe Bryant.

Definidos os playoffs

A noite de quarta-feira (13) serviu também para definir os 16 classificados – oito em cada Conferência – para os playoffs desta temporada. Na verdade, a última equipe a garantir presença nos playoffs no derradeiro dia da temporada regular foi o Houston Rockets que derrotou o Sacramento Kings com facilidade por 116 a 81 na cidade de Sacramento. A má campanha da equipe californiana decretou ainda a demissão do técnico George Karl. Seu substituto ainda não foi escolhido. O Miami Heat também protagonizou em vexame na quarta (13). Após ter vencido o Boston Celtics por 24 pontos de vantagem no primeiro tempo, levou a virada e foi derrotado por 98 a 88. Apesar disto, ainda ficou com a Terceira posição na Conferência Leste e vai enfrentar o Charlotte Hornets na primeira série dos playoffs. O mistério é saber se Chris Bosh poderá voltar na fase aguda do campeonato. O ala-pivô, que vinha sendo o melhor jogador do Heat, voltou a sentir os mesmos problemas circulatórios que causaram seu afastamento na temporada passada. Nesta temporada, ele também ficou muitos jogos sem atuar, porém, há rumores de que ele poderia jogar nos playoffs. Se isto se confirmar, pode ser um excelente reforço para o Miami Heat. Só resta aguardar.

Quem enfrenta quem

Após o término da temporada regular, ficaram definidos os duelos nas duas Conferências, com os playoffs começando neste final de semana:

Conferência Leste:

Cleveland Cavaliers (1) x Detroit Pistons (8)

Toronto Raptors (2) x Indiana Pacers (7)

Miami Heat (3) x Charlotte Hronets (6)

Atlanta Hawks (4) x Boston Celtics (5)

Conferência Oeste:

Golden State Warriors (1) x Houston Rocketts (8)

San Antonio Spurs (2) x Memphis Grizzlies (7)

Oklahoma City Thunder (3) x Dallas Mavericks (6)

Los Angeles Clippers (4) x Portland Trail Blazers (5)

Noite brasileira na Libertadores

A noite de quarta-feira (13) também foi mágica para os clubes brasileiros que disputam a Copa Libertadores da América. O Grêmio classificou-se para as oitavas de final da Libertadores. O time gaúcho superou qualquer influência da altitude de Quito para resolver o jogo no primeiro tempo e bater a LDU por 3 a 2. Com isso, a última rodada servirá apenas para definir quem será o adversário na próxima fase. O Tricolor dos Pampas chegou aos 8 pontos na classificação do grupo 6. Não tem mais como atingir o líder Toluca, que tem 13, mas também não será alcançado pelos outros dois times da chave – LDU e San Lorenzo – que têm três cada. A rodada final aponta gaúchos contra mexicanos em Porto Alegre. Luan e Bobô marcaram no primeiro tempo. No segundo, os equatorianos descontaram com menos de um minuto, mas Walace devolveu a tranquilidade ao Tricolor. No fim, mais um gol da LDU e pressão total. Só que o Tricolor foi forte e garantiu a vaga nas oitavas.

São Paulo está perto do milagre

O São Paulo é conhecido como time da fé. Pois o Tricolor do Morumbi parece estar fazendo valer o apelido na Copa Libertadores da América. Depois de um início desanimador com derrota em casa para o The Strongest e empate fora contra o fraco Trujillanos da Venezuela, poucos acreditavam na equuipe paulista. No entanto, na quarta-feira (13), diante de um público de quase 50 mil pessoas – recorde em 2016 no Brasil -, o time ressuscitou com uma boa vitória sobre o River Plate por 2 a 1, com dois gols de Calleri e um de Ivan Alonso. Agora, River Plate e São Paulo lideram o Grupo 1, com 8 pontos, mas a equipe de Buenos Aires lidera por ter melhor saldo de gols. A sorte do São Paulo, na verdade, começou na terça-feira (12), quando o time boliviano foi surpreendentemente derrotado pela fraquíssima equipe venezuelana. Agora, basta um empate diante do The Strongest na altitude de La Paz para carimbar o passaporte para a segunda fase como segundo do grupo, pois dificilmente o River Plate deixará de golear o Trujillanos na capital argentina.

Quase todos brasileiros classificados

Se o Corinthians já estava praticamente classificado, agora já está confirmado para a próxima fase depois da surpreendente derrota do Cerro Porteño do Paraguai para a fraca equipe chilena do Cobresal por 2 a 0. E o Alvinegro paulista deve garantir o primeiro lugar no Grupo 8 porque tudo indica que vencerá com facilidade o Cobresal na Arena Corinthians e terminará a primeira fase com 13 pontos. O único brasileiro ameaçado era o Palmeiras, que jogou na quinta-feira (14), depois do fechamento desta edição. O Alviverde não tinha tarefa fácil. Precisava vencer o River Plate, do Uruguai, por mais de dois gols de diferença e trocer por uma vitória do Nacional de Montevidéu sobre o Rosario Central, da Argentina na última rodada do Grupo 2. Qualquer outro resultado deixaria o time de Cuca de fora da primeira fase da competição intercontinental.