Número de americanos que renunciam à cidadania bate recorde em 2020

Mais que o dobro de pessoas devolveram seus passaportes no primeiro semestre do ano com relação a 2019

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A emissão dos passaportes será feita mediante agendamento prévio (foto: flickr)
Opção com o novo marcador de gênero será oferecida no início de 2022(foto: flickr)

Uma empresa especializada em tributação de americanos no Exterior divulgou um relatório compilado pelo governo que mostra um aumento de mais de 100% com relação ao ano passado no número de cidadãos americanos que renunciam à cidadania para buscar residência no Exterior.

Durante os primeiros seis meses de 2020, 5,816 americanos deixaram o País e renunciaram à cidadania, enquanto durante o mesmo período em 2019 somente 2,072 pessoas entregaram seus passaportes.

De três em três meses o governo americano publica o nome das pessoas que abrem mão da cidadania americana, de acordo com uma regra do Internal Revenue Service, o serviço tributário americano. O custo da renúncia é de $2,350.

Alistair Bambridge, sócio da Bambridge Accountants New York – empresa de contabilidade especializada em tributação para americanos vivendo no Exterior – disse ao jornal The Miami Herald que o aumento se deve à pandemia de covid-19, à política e os impostos.

“O grande aumento nos expatriados [pessoas que abandonam a cidadania para viver no Exterior], segundo nossa análise, se deve ao fato de que a pandemia deu tempo às pessoas para avaliarem suas ligações com os EUA e para decidirem que o clima político atual e a carga tributária estão insuportáveis para elas”, disse Bambridge ao Herald.

Cidadãos americanos, mesmo vivendo no Exterior, têm obrigações tributárias nos Estados Unidos, e precisam reportar todas as suas atividades no Exterior, incluindo rendimentos, investimentos e contas bancárias. Muitos preferem, assim, renunciar à cidadania para se verem livres dessas obrigações.

“Para muitos americanos, essa intrusão é muito complicada e eles resolvem abrir mão da cidadania, já que eles não têm planos de retornar para os Estados Unidos”, concluiu Bambridge.

(Com informações do Miami Herald)