O orgulho de ser brasileiro em Miami

0
523

“Orgulho de Ser Brasileiro”, documentário do jornalista e cineasta Adalberto Piotto, estreia nos EUA e leva convidados ao Cinema Paradiso

Jorge Moreira Nunes

O Cinema Paradiso, em Fort Lauderdale, recebeu na noite de segunda-feira (29) uma plateia de convidados para a premiére nos Estados Unidos do documentário “Orgulho de Ser Brasileiro”, do jornalista e cineasta Adalberto Piotto. A exibição do filme abriu a semana do conjunto de seminários que compõem o Focus Brasil, evento que promove anualmente um fórum de debates sobre a comunidade brasileira nos Estados Unidos, seus dilemas, problemas e soluções enquanto imigrantes.

Antes do filme de Piotto, foi exibido o curta-documentário “São Jobim”, dirigido e produzido pela dupla Neusa Martinez e Carlos Wesley, com o apoio do consulado-geral do Brasil em Miami. “São Jobim” é centrado na vida do músico profissional brasileiro radicado em Miami, e o desafio de encontrar na terra do rock’n’roll seu lugar como artista. De acordo com os entrevistados, a missão é facilitada pela grande aceitação que a música brasileira, especialmente através da obra de Tom Jobim, encontra no exterior. O curta conta com o depoimento do maestro Antonio Adolfo, compositor e educador consagrado no Brasil que comanda uma escola de música em Miami, e de músicos locais conhecidos, como a dupla Rose Max e Ramatis, Toco do Pandeiro, Bia Malnic e Loren Oliveira (do grupo vocal Brazilian Voices) e o Clube do Choro, entre outros. Os músicos falam de sua vida nos Estados Unidos e de como a qualidade da música popular brasileira facilitou o caminho para o seu sucesso profissional. “São Jobim” é o primeiro trabalho no gênero realizado pela dupla de produtores, e tirando uma certa falta de uniformidade fotográfica (talvez pelo uso de diferentes câmeras e tipos de iluminação nas diversas entrevistas), o filme realiza com correção o que ele se propõe a fazer: discutir a condição do músico brasileiro radicado em Miami e sua relação com a música popular brasileira, sem muitas ousadias ou firulas no roteiro enxuto. Depois dessa estreia, o curta vai estar disponível no portal Brasil Mais (www.brasilmais.com).

A mostra do documentário “Orgulho de Ser Brasileiro”, atração principal da noite, teve a presença do próprio diretor Adalberto Piotti, que promoveu, junto com a diretora do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, Adriana Sabino, um debate informal com a plateia logo após a exibição.

Em 88 minutos, o documentário “Orgulho de Ser Brasileiro” parte da pergunta inicial se os brasileiros devem ou não ter orgulho de serem brasileiros para disparar uma série de questionamentos sobre o país e o seu povo. Misturando entrevistas com personalidades tão relevantes como Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva e Gerald Thomas, passando por vários educadores, músicos, empresários, artistas e promotores de eventos locais (entre eles o produtor do Focus Brasil, Carlos Borges, e o artista plástico Romero Britto), o filme acaba por revelar um mosaico fantástico de opiniões e facetas sobre a brasilidade em todos os seus aspectos, desde a decantada alegria de viver do brasileiro até a crônica corrupção institucional que embala o sono do ‘Gigante Adormecido’. O questionamento sobre o orgulho de ser brasileiro acaba se dissolvendo no caldo de opiniões dos entrevistados, o que de certa forma deixa o espectador meio confuso com a quantidade de informações que saem da tela, às vezes conflitantes e contraditórias entre si, que o diretor sabiamente coloca em sequência, aumentando ainda mais a complexidade da discussão. Como filme, o documentário sobrecarrega um tanto o espectador com essa quantidade sufocante de informações discutidas, e cansa um pouco com as inúmeras idas e vindas dos entrevistados e a cinematografia um tanto monótona, com poucos movimentos de câmera além dos necessários para acompanhar os depoimentos. Mas isso não importa muito ao diretor. Piotto diz que não sabe se o público vai gostar ou não do filme. O que importa para ele é que o documentário gere uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira, causando um certo tipo de incômodo nas pessoas que as leve para uma ação, não se sabe bem qual seja, que faça com que o ‘Gigante Adormecido’ Brasil acorde e cumpra o seu ideal de grande nação. Como disse o próprio Piotto no debate após a exibição, “Se as pessoas sentirem esse incômodo, para mim o filme já terá cumprido seu objetivo”

“Orgulho de Ser Brasileiro” é um importante documento para basear uma discussão profunda sobre a brasilidade e as possibilidades de sucesso do Brasil enquanto nação, e um valioso questionamento sobre se o país, com o privilégio de possuir todos os recursos que tem ao seu dispor, conseguirá ou não cumprir um dia o seu ideal de grandeza e justiça social. Nesse dia, certamente todo mundo vai poder responder sem qualquer dúvida que tem orgulho de ser brasileiro.