Oscar esnoba brasileiro “Que Horas Ela Volta?”, que sai da disputa por prêmio

Longa de Anna Muylaert, com Regina Casé, foi bem recebido pela crítica norte-americana e era esperança brasileira no Oscar

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DA REDAÇÃO, COM G1 – Não será desta vez. De novo. O Brasil vai ficar mais um ano de fora da corrida por um Oscar. O longa “Que Horas Ela Volta?”, dirigido por Anna Muylaert e protagonizado pela atriz e apresentadora Regina Casé, havia sido o indicado como filme brasileiro a concorrer ao prêmio de maior prestígio do cinema, mas ficou de fora de uma lista prévia com nove nomes publicada pela Academia na quinta-feira (17).

Entre os indicados estão o belga “Le tout nouveau testament”, o colombiano “El abrazo de la serpiente”, o dinamarquês “Krigen”, o finlandês “O esgrimista”, o francês “Cinco graças”, o alemão “Labirinto de mentiras”, o húngaro (e favorito) “O filho de Saul”, o irlandês “Viva” e o jordano “Theeb”.

A lista deve diminuir ainda mais quando forem anunciados os cinco concorrentes finais, em 14 de janeiro.

O Brasil não tem um filme indicado na categoria de melhor longa de idioma estrangeiro desde 1999, quando concorreu com “Central do Brasil”, produção dirigida por Walter Salles e protagonizada por Fernanda Montenegro.

“Que Horas Ela Volta?” pode ter ficado de fora da lista do Oscar, mas ainda pode ganhar na categoria da Critic’s Choice Awards, premiação organizada pelos críticos cinematográficos dos EUA e do Canadá que acontece no dia 17 de janeiro de 2016.

O filme vinha fazendo sucesso nos Estados Unidos, onde foi elogiado por importantes veículos da crítica especializada, como a revista “Variety” e vencido prêmios no Sundance Film Festival, maior premiação de cinema independente dos EUA.

“Cidadãos de segunda classe”
Em entrevista concedida ao AcheiUSA em setembro, Anna Muylaert disse acreditar que a história do longa (sobre uma empregada que entra em conflito com os patrões ao receber a filha, vinda do Nordeste, para estudar na mesma faculdade do filho dos chefes) seria compreendida pelo público americano (país em que a existência de empregadas domésticas, nos moldes brasileiros, não é tão frequente quanto no Brasil).

“O filme pode ser compreendido em camadas. A primeira é essa, de um filme sobre uma relação patrão e empregada. Mas em uma segunda camada, se trata de um filme sobre cidadãos de segunda classe. E isso existe, sim, nos Estados Unidos, na Europa”, disse. “Quando você vai a um hotel nesses lugares e quem vai limpar seu quarto é um imigrante, nunca um americano, um europeu. Meu filme discute relações sociais, de poder, então acho que muitas pessoas podem se identificar, inclusive o público americano.”

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