Pacientes paraplégicos voltam a andar após implantes de eletrodos na medula

Três pacientes cujos membros inferiores ficaram completamente paralisados após lesões na medula espinhal voltaram a andar após o tratamento

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David Mzee, de 33 anos, caminha na esteira sem a ajuda das mãos (imagem: Reprodução- EPFL)

Doze anos após ficar paraplégico devido a uma fratura no pescoço, o suiço David Mzee, de 33 anos, voltou a andar. Mzee é um dos três homens que perderam o uso das pernas em acidentes graves e, graças a um dispositivo de estimulação nervosa, recuperaram os movimentos. “A maior surpresa para mim foi conseguir caminhar normalmente em uma esteira sem ter que escorar nos corrimões”, falou o suíço ao jornal The New York Times.  Além de andar, e com a ajuda de fisioterapia, ele e os outros dois pacientes- de 29 e 41 anos —  também recuperam lentamente as habilidades de nadar e andar de bicicleta.

O tratamento revolucionário levou anos de estudo e foi liderado pela cirurgiã suíça Jocelyne Bloch e pelo neurocientista francês Grégoire Courtine. O estudo detalhado publicado na revista científica Nature Medicine nesta segunda-feira  (7), renova as esperanças de milhões de pessoas com deficiências de mobilidade em todo o mundo. O processo consiste na implantação de 15 eletrodos na medula espinhal, que enviam estímulos elétricos controlados externamente pelo paciente através de um tablet. Segundo o artigo, apenas uma hora após os neurocirurgiões implantarem os primeiros protótipos, os voluntários foram capazes de dar seus primeiros passos. Nos seis meses seguintes, eles começaram a se envolver em atividades mais avançadas. O italiano Michel Roccati, outro beneficiário do estudo, comemorou os resultados. “Agora sou capaz de subir e descer as escadas e tenho como objetivo, na primavera, poder caminhar um quilômetro”, acrescentou.  

Os cientistas alertaram que não se trata de uma cura para uma medula espinhal lesionada, mas uma maneira de ajudar as pessoas paralisadas . Eles estabeleceram uma empresa de neurotecnologia com sede na Holanda chamada Onward Medical, e agora trabalham para comercializar o sistema. A empresa espera lançar um teste em cerca de um ano envolvendo 70 a 100 pacientes, principalmente nos Estados Unidos. Em uma coletiva de imprensa na semana passada, os pesquisadores anunciaram que a FDA (Food and Drug Administration) aprovou uma designação de “dispositivos inovadores” para acelerar o processo. Veja vídeo abaixo.