Palmeiras campeão! Deca ou Hexa?

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O título de campeão brasileiro conquistado pelo Palmeiras em 2018 é indiscutível. Dono da melhor campanha com 77 pontos conquistados (antes da última partida contra o já rebaixado Vitória) e podendo fechar a competição com 80 pontos no jogo de entrega das faixas marcado para o Allianz Parque no domingo, 2 de dezembro. Claro que o estádio estará lotado e será programada uma grande festa para celebrar mais esta conquista.

A questão que permanece é esta: o Palmeiras é decacampeão, como defendem os palmeirenses, ou hexacampeão, como querem os adversários? As duas partes possuem argumentos substanciais. Os co-irmãos alegam que o Alviverde é hexacampeão por ter vencido os campeonatos de 1972, 1973, 1993, 1994, 2016 e 2018.  Ou seja, sagrou-se campeão após 1971 (ano em que o Atlético MG venceu seu único título de campeão brasileiro) quando entrou em vigor o formato que perdura até hoje.

Entretanto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aceitou um estudo realizado por um grupo de pesquisadores que demonstrou serem a Taça Brasil e a Taça de Prata (Torneio Roberto Gomes Pedrosa) os precursores do Brasileirão, portanto, deveriam ser reconhecidos como tais. Dessa forma, chega-se às outras quatro conquistas do Verdão – campeão da Taça Brasil em 1960 e 1967 e da Taça de Prata em 1967 e 1969 – perfazendo dez títulos e alcançando a marca de decacampeão brasileiro.

Argumentos dos antipalmeirenses também destacam ser impossível o mesmo clube ser duas vezes campeão no mesmo ano, como foi o caso do Palmeiras em 1967. Isto não se sustenta uma vez que nos campeonatos argentino e mexicano, por exemplo, há o Torneio Apertura e o Torneio Clausura e já houve casos de uma mesma equipe vencer as duas competições no mesmo ano.

Se não houvesse o reconhecimento dos títulos anteriores a 1971, a geração de ouro dos futebolistas brasileiros não teria seu reconhecimento. Craques como Tostão, Dirceu Lopes & Cia. não teriam seus nomes consagrados como campeões pelo Cruzeiro, assim como o bom time do Botafogo com Waltencir, Afonsinho e Ferreti (técnico interino da Seleção Mexicana), ou o valente Bahia que superou a forte equipe do Santos na final. Por falar em Santos, este clube foi o grande beneficiado pela unificação dos títulos por ter vencido cinco vezes a Taça Brasil e um Robertão. Ou seja, dois oito títulos contabilizados pelo Alvinegro praiano seis foram obtidos antes de 1971. Isto garante títulos de campeões àquela excepcional equipe do Santos que tinha Pelé como estrela fulgurante. Este ano Sem este reconhecimento, esta legião de craques não teria seus títulos, assim como o Palmeiras de Zequinha, Tupãzinho, Servilio e outros e também o Fluminense de Galhardo, Denilson, Cafuringa e Samarone, vencedores da última Taça de Prata em 1970.

Os opositores ironizam a reunificação de títulos por qualificá-la como uma “jabuticaba”, isto é, só existiria no Brasil. Não é verdade. Tomemos como exemplo o Campeonato Inglês, disputado desde a longínqua temporada de 1888-89. Pois bem, na temporada 1992-93, começou oficialmente a English Premier League (EPL), em minha opinião o melhor campeonato nacional do mundo. Pois bem, desde que se iniciou a EPL, o Liverpool jamais conquistou um título. Entretanto, para a Federação Inglesa de Futebol (FA – Football Association), o Liverpool possui 18 títulos de campeão inglês, atrás apenas do Manchester United, detentor de 20 títulos – quatro dos quais conquistados na Premier League sob o comando de sir Alex Ferguson.

Segundo o site globo.com, o Palmeiras é considerado o “Empilhador de Taças” porque, além dos 10 títulos citados, o Verdão paulistano soma três títulos da Copa do Brasil (1998, 2012 e 2015), computando 13 títulos nacionais. Depois dele, os clubes com mais conquistas nacionais são Corinthians e Cruzeiro, com 10 títulos, seguidos por Flamengo e Santos, com 9. Para confirmar que craque é feito em casa, Gabigol, que disputou o Brasileirão pelo Santos ao ser emprestado pela Internazionale de Milão, foi o artilheiro do Campeonato, com 18 gols (sem contra a última partida).

Méritos também para o Flamengo…

Descontando-se as piadinhas dos adversários com o tal do “cheirinho”, a campanha do Flamengo no Brasileirão 2018 foi bastante louvável. O clube disputou três competições (Copa Libertadores da América, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro) e está encerrando o Brasileirão com muita dignidade. Com uma partida a disputar, no sábado (1), contra o Atlético-PR, diante de sua torcida no Maracanã, o Rubro-negro carioca já soma 72 pontos (e pode atingir 75 pontos), a maior pontuação da equipe no Campeonato Brasileiro de pontos corridos, superior até mesmo à 2009, quando conquistou o título, com 67 pontos. Méritos para Dorival Jr. que soube recuperar auto-estima dos jogadores e comandou uma reação, que garantiu o vice-campeonato.

…e para o Internacional

O Colorado fez uma campanha surpreendentemente positiva para uma equipe que ascendeu da Série B para a Série A. Com um ataque poderoso que inclui os uruguaios Nico Lopez e Jonathan Alvez e os brasileiros William Potker e Leandro Damião, o Internacional dirigido por Odair Hellmann fez uma campanha digna com 68 pontos conquistados (que podem chegar a 71, pois enfrenta o Paraná, lanterna da competição) e já garantiu sua participação direta na Copa Libertadores da América, ao lado de Palmeiras e Flamengo.

As decisões pela Libertadores e Sul-Americana…

Além do trio Palmeiras, Flamengo e Internacional, outros dois clubes brigam pela quarta vaga direta para a Copa Libertadores da América. Tanto Grêmio como São Paulo tem 63 pontos e uma partida a disputar. O Grêmio recebe o Corinthians em Porto Alegre e uma vitória simples garante a vaga direta na Libertadores para o Tricolor gaúcho, atual campeão continental.  Já o São Paulo precisa vencer a Chapecoense em Chapecó e torcer por um tropeço do Grêmio. Mesmo se ficar com a quinta vaga, tudo bem, porque o Tricolor paulista estará na Pré-Libertadores, provavelmente ao lado do Atlético MG. A única chance de o Galo ficar de fora é perder para o Botafogo em casa e ver o Furacão derrotar o Flamengo no Rio de Janeiro. Difícil.

…e na Zona de Rebaixamento

Paraná e Vitória já estão matematicamente rebaixados para a Série B. Eles terão a companhia de dois destes cinco times no domingo (2) à noite: Sport (39 pontos) que joga contra o Santos, América MG (40 pontos) que enfrenta Fluminense no Rio de Janeiro, Chapecoense (41 pontos), que recebe o São Paulo na Arena Condá, Vasco da Gama (42 pontos), que enfrenta o Ceará em Fortaleza, e Fluminense (42 pontos) que tem o choque direto contra o Coelho Maracanã.

Os novos integrantes da Série A…

No último fim de semana de novembro, ficaram definidos os quatro novos integrantes da Série A em 2019. Destaque para o campeão Fortaleza, que fez uma campanha fenomenal e encerrou o Campeonato Brasileiro da Série B com 71 pontos – 9 pontos à frente do vice-campeão CSA, 10 à frente do Avaí e 11 à frente do Goiás. Aliás, o Esmeraldino do Planalto Central terminou com 60 pontos, a mesma pontuação da Ponte Preta de Campinas, porém, ficou com a vaga por ter obtido 18 vitórias, duas a mais do que a Macaca. Interessante notar que o Tricolor cearense volta à divisão de elite do futebol brasileiro 15 anos depois de tê-la disputado E, após 26 anos, haverá o clássico entre Ceará e Fortaleza na principal divisão do futebol brasileiro. Já o CSA quebrou um jejum ainda maior. A equipe alagoana retorna à Série A após 31 anos! O Nordeste, aliás, terá estes participantes na Série A: Ceará, Fortaleza, CSA e Bahia. Perdeu o Vitória rebaixado e o Sport luta para permanecer como único representante pernambucano na divisão de elite do futebol brasileiro.

…e da Série B

Enquanto os quatro primeiros comemoram, os quatro últimos da Série B lamentam, pois terão de disputar a Série C no ano que vem. Os rebaixados são Paysandu de Belém (PA), Sampaio Corrêa de São Luiz (MA), Juventude (RS) e Boa Esporte de Varginha (MG). Eles serão substituídos pelos quatro melhores da Série C: Operário de Ponta Grossa (PR), Cuiabá (MT), Botafogo (SP) e Bragantino (SP).

Fluminense não marcou um gol em novembro

Quatro minutos de bola rolando. Foi apenas esse o tempo em que quase 38 mil tricolores tiveram esperança na classificação para a final da Copa Sul-Americana. O gol de Nikão jogou uma ducha de água fria no Maracanã e o restante do jogo expôs a realidade de um Fluminense que não marca e não vence há um mês. Um fim de ano tenebroso e que pode ficar ainda pior no próximo domingo: o Tricolor precisa ao menos de um empate contra o América-MG para garantir sua permanência na Série A do Campeonato Brasileiro no domingo (2). Para quem não balança as redes adversárias há oito jogos, jogar pelo 0 a 0 contra a ameaça do rebaixamento é até lucro. Parece que só um acaso para sair o gol. Falando em gol, o jejum tricolor já chega a 762 minutos (sem contar acréscimos) – recorde aumentado. Diante do Atlético-PR, mais do mesmo. De um lado, uma equipe organizada, que sabia ocupar os espaços do campo e atacar com precisão. Do outro, um Fluminense desorganizado, com dificuldades na saída de bola e abusando das bolas alçadas na área. Com um ataque de baixa estatura diante de uma defesa alta, não tinha como dar certo. O Furacão fez por merecer o resultado e está na final da Copa Sul-Americana de Futebol contra uma equipe colombiana, provavelmente Junior de Barranquilla. Se conquistar seu primeiro título internacional, Atlético PR participará da Copa Libertadores de 2019. Algo que o Rubro-negro paranaense ainda não tem em sua galeria de troféus.