Refugiados buscam experiências como voluntários dos Jogos Olímpicos

‘Quero apresentar a cultura brasileira que estou aprendendo’, diz um dos 38 estrangeiros do programa do Rio 2016, feito com a ONU

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Os refugiados voluntários Rio 2016 Aklah Fiasese, Prisca Mbamu, Keila Castillo, Sekou Dabo e Mireille Mulanga, em frente ao estádio do Maracanã Foto Gabriel Nascimento Rio 2016
Os refugiados voluntários Rio 2016 Aklah Fiasese, Prisca Mbamu, Keila Castillo, Sekou Dabo e Mireille Mulanga, em frente ao estádio do Maracanã Foto Gabriel Nascimento Rio 2016

DA REDAÇÃO (com Rio 2016) – Trinta e oito refugiados que estão no Brasil foram selecionados para trabalharem como voluntários durantes os Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro. Eles irão atuar entre os 50 mil voluntários dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, numa parceria feita com a Organização das Nações Unidas.

“Quero apresentar aos estrangeiros durante os Jogos a cultura brasileira que estou aprendendo, mostrar o coração do Brasil”, planeja o sírio Mohammad Ghannam, de 30 anos, filho de pais palestinos e que deixou a Síria há dois anos, em meio à guerra civil que já deixou mais de 470 mil mortos no país. Mohammad é um dos 38 refugiados ou solicitantes de refúgio selecionados pelo Programa de Voluntários do Rio 2016, que serão distribuídos em mais de 500 funções em áreas diversas como transportes, atendimento ao público e serviços de intérprete.

O processo foi realizado com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e tem apoio da Cáritas Arquidiocesana, responsável por dar auxílio jurídico e cursos de capacitação para mais de 6 mil estrangeiros. Sekou Dabo, da Guiné Ex-estudante de direito, Mohammad se empolgou com a história do Brasil após iniciar os estudos de língua portuguesa. “Leio tudo sobre os indígenas e adorei quando fui visitar o Palácio do Catete e vi que há um quarto com decoração mourisca”, diz, orgulhoso da influência dos países árabes e da quantidade de restaurantes sírios na cidade.

Assim como Mohammad, o taxista e guia turístico Sekou Dabo, da Guiné, olha para o Rio 2016 como uma forma de resgatar um pouco da autoestima abalada pelo processo de mudança. “Os Jogos são uma oportunidade para intercâmbio com outros estrangeiros. É o benefício de estar conectado”, afirma Sekou, de 26 anos, que buscou refúgio após um conflito religioso que envolveu a morte de sua mãe. Prisca Mbamu, da República Democrática do Congo Conhecer uma nova cultura e reencontrar compatriotas são sensações que moveram a jornalista Prisca Mbamu, de 28 anos, da República Democrática do Congo. Hoje cabelereira em Madureira, ela preferiu se inscrever no Programa de Voluntários a concorrer a uma vaga de funcionária do Rio 2016, opção que também foi dada aos refugiados. “Meu pai me dizia que a gente precisa de dinheiro, sim, mas, se há uma oportunidade para crescer, temos que aproveitar”, conta Prisca, que fica facilmente com os olhos cheios de lágrimas quando fala da saudade de sua família. Ela deixou seu país quando se envolveu numa crise ao fazer uma reportagem crítica ao governo local. Sem emprego e perspectiva, resolveu acompanhar uma amiga que veio visitar o Rio em 2013 e acabou ficando. Para ficar perto dos esportes.