Rússia alerta EUA e OTAN sobre risco de guerra nuclear diante do envio contínuo de armas à Ucrânia

"O perigo é sério, é real. E não devemos subestimá-lo", disse o ministro das Relações Exteriores russo ao acusar países aliados da Ucrânia de travarem uma guerra "por procuração"

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Tanques de guerra da Ucrânia seguem em direção à fronteira com a Rússia (foto: Flickr)

A Rússia acusou os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de criar um sério risco de guerra nuclear ao armar a Ucrânia em uma batalha por procuração. “O perigo é sério, é real. E não devemos subestimá-lo”, disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, em uma entrevista concedida à TV estatal do seu país nesta segunda-feira (25). “A OTAN, em essência, está engajada em uma guerra com a Rússia. Guerra significa guerra”, completou.

O embaixador de Moscou em Washington, Anatoly Antonov,  falou que o envio contínuo de armas inflama o conflito na Ucrânia e leva a mais perdas humanas e materiais. “Eles estão jogando gasolina no fogo”, alertou o embaixador. 

Num intervalo de uma hora, a Rússia bombardeou cinco estações de trem no oeste da Ucrânia nesta segunda-feira. Uma delas a menos de 200 quilômetros da fronteira com a Polônia. O objetivo dos ataques, segundo autoridades ucranianas, foi interromper o transporte de armas enviadas pelos aliados. E elas não param de chegar.

No domingo (24), os EUA confirmaram a entrega de $5,7 bilhões em armamentos para a Ucrânia. Apesar de não enviar soldados para o combate direto, Washington e seus aliados europeus fornecem armas à Kiev desde o início da guerra, no dia 24 de fevereiro. 

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, mencionou que um avanço diplomático pelo fim da guerra entre os dois países é “improvável”.  Ele declarou que espera que a Organização das Nações Unidas (ONU) possa ajudar na situação humanitária, especialmente em Mariupol, onde, segundo ele, centenas de civis estão presos dentro de uma siderúrgica desativada.

A invasão russa da Ucrânia já dura mais de dois meses e estima-se que milhares de pessoas morreram e ficaram feridas nos inúmeros conflitos. Os ataques reduziram vilas e cidades a escombros e forçou mais de cinco milhões de ucranianos a fugir para países vizinhos.

Moscou chama suas ações de “operação especial” para desarmar a Ucrânia e protegê-la dos fascistas. A Ucrânia e o Ocidente chamam isso de falso pretexto para uma guerra que não foi provocada.