Sem provas, Casa Branca tenta amenizar acusações de grampo feitas por Trump

Pelo Twitter, presidente acusou Obama de ter ‘espionado’ suas atividades durante a campanha

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Sean Spicer disse que o presidente não quis dizer grampo
Sean Spicer disse que o presidente não quis dizer grampo

DA REDAÇÃO, COM AGÊNCIAS – A Casa Branca garantiu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se referia necessariamente a “escutas telefônicas” quando acusou seu antecessor, Barack Obama, de vigiar suas comunicações em 2016, numa aparente tentativa de minimizar o tom dessa denúncia, já que não há nenhuma prova.

Durante entrevista coletiva na segunda-feira (13), o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, falou sobre o tweet que Trump publicou no começo deste mês e no qual acusou Obama de grampear seus telefones na Trump Tower, onde o magnata morava e trabalhava durante a campanha eleitoral do ano passado. Ele afirmou que Trump não necessariamente se referia a um “grampo telefônico” como tal, mas a atividades de “vigilância” em geral.
“O presidente usou a expressão ‘grampo telefônico’ com aspas para se referir, de forma ampla, à vigilância e outras atividades”, indicou Spicer.
Essa explicação vai de encontro ao que o porta-voz disse há uma semana, quando se limitou a indicar que os tweets do presidente sobre Obama ter ordenado grampear os telefones da Trump Tower “falavam por si só”. Trump não forneceu provas sobre a denúncia, mas pediu ao Congresso para investigar a suposta escuta, apesar de o ex-presidente ter negado determinar tais atividades.

“Não tenho provas”

Já a conselheira presidencial, Kellyanne Conway, afirmou à rede de televisão ABC que não tinha provas. “Eu não tenho nenhuma prova, mas é por isso que há uma investigação no Congresso”, disse a assessora.
No domingo, a própria Kellyanne se viu envolta a uma polêmica depois de afirmar durante uma entrevista ao USA Today que havia “muitas maneiras de vigiar” e até mencionou a possibilidade de utilizar microondas para a espionagem.

Em declarações à CNN nesta segunda-feira (13), ela preferiu dar um claro passo atrás, alegando que se referia a técnicas gerais de espionagem e não a este caso especificamente, mas reiterou a admissão de falta de provas.
“Eu não acho que houve pessoas que usaram fornos de microondas para espionar a campanha de Trump. Mas não é o meu trabalho coletar provas. Para isso está sendo investigado”.

O governo Trump está sob pressão para fornecer evidências sobre a denúncia. Um pedido de provas foi feito pela Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes. E o próprio senador republicano John McCain afirmou no domingo que os americanos precisam de uma explicação.
“Eu acho que o presidente tem uma escolha a fazer: retratar-se ou fornecer as informações que o povo americano merece porque, se o seu antecessor no cargo violou a lei, se o presidente Barack Obama violou a lei, temos uma questão séria, para dizer o mínimo”, afirmou McCain em entrevista à CNN. “Eu não tenho razões para acreditar que a acusação seja verdadeira, mas também acho que o presidente dos Estados Unidos poderia esclarecer tudo em um minuto”.