Senadores da FL aprovam projeto que proíbe aulas sobre orientação sexual a crianças

Projeto apelidado de “Don’t say gay” deve ser sancionado por DeSantis; estudantes e comunidade LGBT protestam

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Estudantes protestam contra a 'Don't say gay' (Reuters-Octavio-Jones)

Senadores da Flórida aprovaram, na terça-feira (8), um projeto de lei que impede que crianças aprendam lições sobre sexo, orientação sexual e identidade de gênero.

Apelidada de “Don’t say gay”, o projeto denominado “Parental Rights in Education” elimina das salas de aula esse tipo de assunto entre crianças do jardim da infância até a terceira série.

O projeto, que deve ser sancionado pelo governador Ron DeSantis, também proíbe tópicos “não apropriados para a idade” e tem o objetivo de “dar aos pais o direito ensinar seus filhos, visando a saúde mental, emocional, física e o bem-estar das crianças”.

A legislação foi aprovada por 22 votos favoráveis e 17 contrários. Dois senadores Republicanos votaram contra a lei, Jeff Brandes e Jennifer Bradley.

Apoiadores da lei disseram que essas mudanças são necessárias para que os pais tenham controle sobre o que as crianças aprendem na escola sobre sexo. Já os oponentes disseram que o projeto tem o objetivo de distrair a opinião pública sobre projetos mais urgentes e marginalizar a comunidade LGBT.

“Esse projeto é uma mensagem clara que eles (LGBT) precisam ser escondidos, não devemos falar sobre eles e eles devem ter vergonha do que são”, argumenta senadora Democrata, Tina Polsky.

O modelo escolar, entretanto, não discute educação sexual e orientação sexual em matérias estudadas por crianças até a terceira série.

O autor da lei, Dennis Baxley, disse que mais crianças estão “se dizendo gays” e “experimentando” a identidade sexual.

Protestos

Educadores, estudantes e integrantes da comunidade LGBT protestaram contra a lei “Don’t say gay”. Para eles, a questão não é deixar de ensinar algo que nem é ensinado hoje para crianças, é tentar ignorar a existência do assunto.

O que mais preocupa no projeto, dizem os ativistas, é a linguagem do projeto. “Hoje em dia já existe um certo estigma sobre o que somos. A aprovação desta lei basicamente diz que não temos permissão para falar com os professores sobre o assunto e que o aluno deve se envergonhar e se sentir perdido sobre o que sente. Sinto que meus direitos estão sendo violados”, afirma a estudante da oitava série, Ellie Zucker, que integrou o protesto.