Telescópio James Webb faz imagem mais nítida e profunda do universo

Revelada a primeira imagem de 4,6 bilhões de anos-luz do telescópio que custou $10 bilhões ao governo norte-americano.

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A Nasa divulgou as imagens feitas pelo telescópio James Webb (Foto: Nasa)
A Nasa divulgou as imagens feitas pelo telescópio James Webb (Foto: Nasa)

O novo telescópio espacial James Webb teve sua primeira imagem colorida divulgada e é considerada a visão infravermelha mais profunda e detalhada do Universo até hoje, contendo a luz das galáxias que levaram bilhões de anos para chegar até nós. A imagem foi mostrada ao presidente dos EUA, Joe Biden, durante um encontro na Casa Branca na segunda-feira (11), que ressaltou o investimento do país no telescópio: “Essas imagens vão lembrar ao mundo que os Estados Unidos podem fazer grandes coisas e lembrar ao povo americano – especialmente nossos filhos – que não há nada além de nossa capacidade. Podemos ver possibilidades que ninguém jamais viu antes. Podemos ir a lugares que ninguém jamais foi antes”.

O James Webb, lançado em 25 de dezembro do ano passado, custou $10 bilhões e é o sucessor do famoso telescópio espacial Hubble. Ele fará diversos tipos de observações do céu, mas os dois principais objetivos são sondar planetas distantes para investigar se eles podem ser habitáveis e fazer imagens das primeiras estrelas a brilhar no Universo há mais de 13,5 bilhões de anos.

O que é visto na imagem é um aglomerado de galáxias na constelação de Volans no Hemisfério Sul, conhecido pelo nome de SMACS 0723. O aglomerado em si está a cerca de 4,6 bilhões de anos-luz de distância. Ou seja, o telescópio vê no passado. É a consequência de a luz ter uma velocidade finita em um cosmos vasto e em expansão. Ao sondar cada vez mais fundo, o objetivo é recuperar a luz das estrelas pioneiras à medida que elas se agruparam nas primeiras galáxias.

O Webb, com seu espelho dourado de 6,5 m de largura e instrumentos infravermelhos super sensíveis, conseguiu detectar nesta imagem a forma distorcida (os arcos vermelhos) de galáxias que existiam apenas 600 milhões de anos após o Big Bang (o Universo tem 13,8 bilhões de anos). Os cientistas afirmam que, pela qualidade dos dados produzidos pelo Webb, o telescópio detecta o espaço muito além do objeto mais distante nesta imagem. Como consequência, é possível que este seja o campo de visão cósmico mais profundo já obtido.