Temer convoca Exército depois de protestos violentos em Brasília

Dia foi marcado por manifestação e confrontos com a PM na Esplanada dos Ministérios

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Manifestantes confrontam a polícia - Foto Evaristo Sá:AFP
Manifestantes confrontam a polícia - Foto Evaristo Sá/AFP

Após protestos contra o seu governo e atos de vandalismo em Brasília (DF), o presidente do Brasil, Michel Temer, decretou uma ação de garantia de lei e da ordem em Brasília e acionou o Exército. Tropas federais já se encontram no Palácio do Planalto e no Palácio Itamaraty, disse o Ministro da Defesa, Raul Jungman. “O senhor presidente da República decretou, por solicitação do presidente da Câmara, uma ação de garantia da lei e da ordem.”

Houve depredações e confronto entre a polícia e manifestantes em um protesto em Brasília na quarta-feira (24). Grupos colocaram fogo em parte dos ministérios da Agricultura, do Planejamento e da Cultura. Servidores de todo os ministérios receberam ordens de evacuar os prédios por volta das 15h30. A PM atirou balas de borracha e gás lacrimogênio, enquanto manifestantes atiravam pedras e tentavam avançar em direção ao Congresso.

Polícia apaga fogo nas lixeiras próximo a rodoviária do Plano Alto - Foto Marilia Marques
Polícia apaga fogo nas lixeiras próximo a rodoviária do Plano Alto – Foto Marilia Marques

Os manifestantes pedem a renúncia do presidente Michel Temer e criticam as reformas trabalhista e da Previdência. Às 4 da tarde, havia cerca de 35 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, segundo a PM. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), 200 mil pessoas passaram pelo protesto durante todo o dia.

Quatro pessoas foram detidas e uma ficou ferida por arma de fogo, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Um dos presos é um professor do Espírito Santo que estava acompanhado da filha, menor de idade. Três dos detidos portavam entorpecentes e arma branca, segundo a Polícia Militar.

Garantia da lei e ordem

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que Temer decretou a “ação de garantia da lei e da ordem” na Esplanada dos Ministérios e, com isso, as Forças Armadas passarão a reforçar a segurança na região.

A declaração foi dada no Palácio do Planalto, sede da Presidência, logo após todos os prédios da Esplanada dos Ministérios serem evacuados após as pastas da Agricultura e da Fazenda sofrerem incêndios.

Segundo Jungmann, os protestos viraram “baderna”. “O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável baderna, inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições”, afirmou Jungmann no pronunciamento.

“Atendendo à solicitação do senhor presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, mas também levando em conta fundamentalmente uma manifestação que estava prevista como pacífica. Ela degringolou à violência, vandalismo, desrespeito, agressão ao patrimônio público e na ameaça às pessoas, muitas delas servidores que se encontram aterrorizados”, disse Jungmann. (Com UOL e G1)

Tropa de choque tenta dispersar manifestantes
Tropa de choque tenta dispersar manifestantes