A água distribuída às residências nos Estados Unidos é submetida a um dos sistemas de monitoramento mais rigorosos do mundo. Ainda assim, milhares de sistemas públicos de abastecimento registram, todos os anos, violações aos padrões de qualidade estabelecidos pela Safe Drinking Water Act (SDWA), principal legislação federal que regula a água destinada ao consumo humano.
Embora a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) não publique um ranking oficial dos estados com a “água mais contaminada”, análises independentes baseadas em sua base de dados permitem identificar onde se concentra o maior número de violações à legislação.
Um dos levantamentos mais recentes, divulgado pela plataforma PlainWater, compilou os registros oficiais da EPA e apontou os dez estados com o maior número absoluto de violações à Safe Drinking Water Act. O estudo reforça conclusões apresentadas anteriormente pela revista especializada Waste360, que analisou especificamente elementos que podem representar riscos à saúde da população.
Segundo a análise, o Texas lidera o levantamento, com mais de 23 mil violações registradas na base federal de dados. Em seguida aparecem Califórnia, com mais de 16 mil ocorrências, e Pensilvânia, com mais de 15 mil. A Flórida ocupa a quarta posição, com mais de 12 mil registros.
Os números representam registros acumulados em milhares de sistemas públicos de abastecimento distribuídos pelos estados e não significam, necessariamente, que toda a água fornecida à população esteja contaminada ou imprópria para consumo.
Flórida: crescimento acelerado amplia desafios para o abastecimento
Com mais de 23 milhões de habitantes, a Flórida depende principalmente do Aquífero Floridano (Floridan Aquifer System), uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta, responsável pelo abastecimento de cerca de 90% da população do estado. O crescimento populacional acelerado e a expansão urbana aumentam a demanda por água e exigem investimentos permanentes na modernização da infraestrutura de captação, tratamento e distribuição.
A Flórida também possui milhares de sistemas públicos de abastecimento, muitos deles de pequeno porte e administrados por municípios ou concessionárias locais. Segundo a EPA, sistemas menores costumam enfrentar mais dificuldades para atender a todas as exigências de monitoramento e investir em tecnologias mais avançadas de tratamento.
Entre os contaminantes mais frequentemente associados às violações registradas pela agência estão as substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS), conhecidas como “químicos eternos”, além de chumbo, arsênio, nitratos provenientes da atividade agrícola, microrganismos como a bactéria Escherichia coli e subprodutos da desinfecção da água. Alguns estudos científicos estabelecem relação entre os PFAS com alguns tipos de câncer, alterações hormonais, comprometimento do sistema imunológico e efeitos sobre o desenvolvimento infantil.
Nos últimos anos, a Flórida ampliou o monitoramento de contaminantes emergentes, enquanto autoridades estaduais passaram a destinar recursos para a substituição de tubulações antigas, a proteção dos aquíferos e a expansão das estações de tratamento. O objetivo é reduzir riscos à saúde pública e garantir a segurança do abastecimento diante do crescimento da população.
Especialistas ressaltam que esses levantamentos não medem a qualidade média da água de cada estado nem significam que toda a população esteja exposta à água contaminada. As violações são registradas individualmente por sistemas públicos de abastecimento e podem estar concentradas em municípios específicos, enquanto outras localidades do mesmo estado atendem integralmente aos padrões federais de qualidade.
Confira o ranking dos estados com maior número de violações à Safe Drinking Water Act:
- Texas
- Califórnia
- Pensilvânia
- Flórida
- Illinois
- Ohio
- Nova York
- Michigan
- Carolina do Norte
- Geórgia
