Trump condiciona negociação do DACA a construção do muro no México

O presidente ainda reforçou que ‘green card por parentesco e a loteria têm que acabar’

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O presidente Donald Trump disse na quinta-feira (4) que está disposto a discutir com os Democratas o futuro dos jovens beneficiados pelo DACA – Deferred Action for Childhood Arrivals – desde que o Congresso aprove a construção do muro no México. O presidente ainda reforçou que quer o fim da loteria do green card e do green card por parentesco.

O presidente fez esses comentários aos repórteres durante uma reunião com senadores Republicanos para discutir políticas imigratórias, incluindo o DACA, que tem até o dia 5 de março para ser definido. “Qualquer legislação sobre o DACA tem que vir com a construção do muro, precisamos dar aos nossos agentes de imigração os recursos que eles precisam para acabar com a imigração ilegal e também acabar com quem excede o tempo previsto no visto carimbado no passaporte”, disse o presidente. “Esta legislação precisa acabar com o green card que passa de familiar para familiar e precisa acabar com a loteria do green card”, acrescentou.

De acordo com o canal de notícias CNBC, Trump cometeu um erro ao se referir à loteria, já que disse que a escolha dos países é aleatória. A escolha, na verdade, é feita pelo Departamento de Estado americano com base em fatores diversos.

No caso do DACA, ainda é incerto o que será feito com o programa. Negociações anteriores indicam que os democratas estariam dispostos a concordar com o financiamento do muro, caso o programa seja aprovado, mas nada foi falado ainda sobre os assuntos relativos ao green card.

DACA

O programa beneficia 800 mil jovens e foi suspenso pelo presidente Trump em setembro. Apesar da suspensão, nenhum beneficiário do programa vai ser afetado antes de 5 de março de 2018, o que dá ao Congresso – a única instituição com poder para modificar o sistema migratório – um prazo de seis meses para tentar preservar as garantias do programa.

O programa foi aprovado por Obama por meio de um decreto em 2012, como uma solução emergencial depois que o Congresso não aprovou uma reforma imigratória.

De acordo com as organizações Centro para o Progresso Americano e FWD, cerca de 1.400 pessoas vão perder, diariamente, autorização legal para trabalhar nos EUA, na medida em que as autoridades migratórias pararem de processar novas solicitações.

Segundo dados divulgados pela emissora americana CNN, cerca de 300 mil pessoas podem cair na ilegalidade em 2018, caso o Congresso não atue para preservar as garantias do programa, e mais de 320 mil pessoas podem se tornar ilegais entre janeiro e agosto de 2019.