Trump é absolvido no Senado e se livra do processo de impeachment

Na primeira votação sobre a denúncia de abuso de poder, Trump foi absolvido ao receber 52 votos "não culpado" e 48 "culpado"; quanto à acusação sobre a obstrução do Congresso, o presidente teve 53 votos favoráveis e 47 contrários

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Pacote foi assinado neste domingo (27) e evitou a paralisação parcial do governo (foto Shealah Craighead-Official White House)
Pacote foi assinado neste domingo (27) e evitou a paralisação parcial do governo (foto: Shealah Craighead-Official White House)

Como esperado, o Senado de maioria republicana absolveu na noite de quarta-feira (5) o presidente Donald Trump das acusações de abuso de poder e obstrução do Congresso. Com a decisão, Trump, que foi o terceiro presidente da história do país a ser julgado, será mantido no cargo. A discussão se arrastou por mais de uma semana e finalmente foi proferida na noite passada.

Na primeira votação sobre a denúncia de abuso de poder, Trump foi absolvido ao receber 52 votos “não culpado” e 48 “culpado”. Já referente à acusação sobre a obstrução do Congresso, o presidente levou a melhor com 53 votos favoráveis e 47 contrários.

A votação ocorreu logo depois dos comentários do juiz John Roberts, que lidera o julgamento, e do líder da maioria republicana no Senado dos EUA, Mitch McConnell. Os 100 senadores foram convocados em ordem alfabética a votarem se consideravam Trump culpado ou não. O senador Mitt Romney foi o único republicano a votar a favor da condenação do presidente por abuso de poder, mas votou contra a condenação sobre obstrução do Congresso.

“O presidente é culpado de um abuso chocante da confiança pública”, justificou o ex-candidato à presidência em 2012 pouco tempo antes da votação. “Corromper uma eleição para se manter no poder talvez seja a violação mais abusiva e destrutiva do juramento ao cargo de alguém que eu possa imaginar”, acrescentou o republicano.

Trump foi acusado de ter pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a anunciar uma investigação contra Joe Biden, pré-candidato à Casa Branca e cujo filho, Hunter, foi conselheiro de uma empresa ucraniana de gás, a Burisma.

Para alcançar seu objetivo, Trump teria congelado uma ajuda militar de quase $400 milhões a Kiev. Em um telefonema em 25 de julho, Trump pediu para Zelensky investigar os Biden, mas não mencionou a ajuda militar, que estava bloqueada na época.

O presidente também foi acusado de obstrução do Congresso por ter instruído membros do governo a não colaborarem com o inquérito.

As investigações foram conduzidas pelo Comitê de Inteligência da Câmara, e a denúncia foi escrita pelo Comitê de Justiça, ambos dominados pelo Partido Democrata, majoritário na Casa.

O julgamento ocorreu menos de um dia depois de Trump fazer seu tradicional discurso sobre o Estado da União, que ficou marcado pela presidente da Câmara dos Representantes, a deputada democrata Nancy Pelosi, rasgando o papel com o discurso do republicano. A expectativa é de que o mandatário faça um pronunciamento até o final desta noite. (Com Agência Ansa)