A possibilidade de comprar uma arma de fogo pela internet e recebê-la em casa está entre as 34 alterações nas normas federais sobre compra, venda e transporte de armas previstas no pacote de desregulamentação anunciado pelo Departamento de Justiça (DOJ) e pelo Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives (ATF). O governo afirma que o objetivo é reduzir exigências burocráticas impostas a proprietários legais e comerciantes licenciados, fortalecendo o direito previsto na Segunda Emenda da Constituição.
Entretanto, uma investigação realizada pela Reuters revelou que a mudança poderá beneficiar diretamente a GrabAGun, uma das maiores varejistas digitais de armamentos do país, da qual Donald Trump Jr. é acionista e integrante do conselho de administração. Representantes de Trump Jr. afirmaram à agência que ele não participou da elaboração da proposta nem manteve qualquer interlocução com o governo sobre o tema. A Casa Branca também negou a existência de conflito de interesses.
Segundo estimativa do próprio ATF, cerca de 3,3 milhões de compradores por ano poderão optar pela entrega domiciliar, número equivalente a aproximadamente metade das vendas elegíveis no mercado interno. A agência calcula, ainda, que a mudança reduziria custos e tempo para consumidores e comerciantes, especialmente em estados onde as distâncias até lojas autorizadas são maiores.
Outra proposta em análise prevê autorizar o transporte de pistolas e revólveres pelo Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), encerrando uma restrição que existe há quase um século. Atualmente, esse tipo de armamento só pode ser enviado por transportadoras privadas autorizadas, mediante regras específicas. A alteração pretende ampliar as opções logísticas para fabricantes e revendedores.
Embora o governo sustente que a checagem de antecedentes continuará obrigatória, entidades como Brady Campaign, Giffords e Everytown for Gun Safety afirmam que a retirada da exigência de comparecimento presencial elimina uma importante camada de controle exercida pelos próprios comerciantes.
Os críticos também alertam para riscos adicionais, como furtos durante o transporte, fraudes na confirmação da identidade do comprador e maior dificuldade para rastrear desvios de armas para o mercado ilegal. Especialistas em segurança pública avaliam que a ampliação da circulação de armas por meio de canais de entrega poderá aumentar os desafios para o rastreamento de desvios e fortalecer rotas exploradas pelo crime organizado transnacional. Essa hipótese é contestada por defensores da flexibilização, que argumentam que as mudanças preservam os controles legais e se aplicam apenas a compradores autorizados.
Com informações da Reuters.
