Brasil Geral

Norte-americano apaixonado pelo Brasil cria ONG que capacita jovens de favelas para o mercado de trabalho

Plataforma foi criada para quebrar o ciclo da pobreza

Alguns do jovens que participam do projeto-piloto na Rocinha já estão no mercado de trabalho (Foto: Divulgação – Plataforma)
Alguns do jovens que participam do projeto-piloto na Rocinha já estão no mercado de trabalho (Foto: Divulgação – Plataforma)

Cerca de 40% dos brasileiros com idade entre 18 e 24 anos fazem parte da chamada geração “nem-nem” – nem estudam nem trabalham – e o país é o segundo no ranking mundial neste quesito nada honroso. O maior problema da baixa inclusão produtiva dos jovens é a falta de perspectivas no mercado profissional. E foi pensando nisso que um norte-americano apaixonado pelo Brasil decidiu criar uma organização não governamental para mudar o ciclo vicioso de vidas, especialmente de pessoas em comunidades carentes e favelas, que estavam fadadas à informalidade ou à criminalidade. Nascia, então, o programa Plataforma Impact (plataformatech.com).

“Nosso objetivo é ajudar os jovens de baixa renda e de locais marginalizados a transformar seu potencial em prosperidade, reduzindo assim a desigualdade no mundo”, resume o fundador da Plataforma, Gary Carrier, de Seattle, mas que agora é um feliz morador do Rio de Janeiro. Programador de formação, ele acredita que a revolução digital pode transformar vidas. Por isso, a organização é especializada em preparar uma geração menos privilegiada e com menos oportunidades para carreiras no mercado da tecnologia.

O programa é dividido em três estágios e a expectativa da equipe da Plataforma é que um jovem possa, num período de nove meses de treinamento e mentoria, estar preparado para uma vaga no mercado de trabalho de TI. “As etapas incluem aprendizado básico de desenvolvimento de web, capacitação com especialistas, estágio e finalmente colocação profissional”, explica Anderson Rodrigues, diretor de treinamento do Burgerking, em Miami, que faz parte do Board da Plataforma. E um detalhe: tudo é inteiramente gratuito para os jovens.

Desde que foi criada, em 2021, a organização já impactou a vida de dezenas de alunos. O projeto-piloto, na maior favela brasileira (Rocinha), resultou na colocação de metade dos graduados do programa em empresas e startups do Rio de Janeiro. E isso é só o começo. Gary aposta que a Plataforma vai formar mais de mil desenvolvedores até o final de 2023. “Jamais tivemos uma chance maior de promover mudanças e erradicar a pobreza como agora”, diz o americano, em bom português. A ideia é levar o modelo para outras cidades brasileiras e da América Latina.

Para divulgar o trabalho que tem sido feito no Brasil, Gary e os diretores da Plataforma estão em Miami. Nesta quinta-feira, no Panorama Tower (1100 Brickell Bay Drive), acontecerá um evento de solidariedade onde eles contarão um pouco da história da organização e também para arrecadação de fundos para o programa. “Mais de 27 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza, ao mesmo tempo em que há uma necessidade crescente de profissionais na área de tecnologia. O que a Plataforma quer é unir as duas realidades”, finalizou Gary.

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