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Washington afirma que domínio nas Américas ‘jamais será questionado novamente’

A estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca estabelece a região como prioritária e busca conter a influência de potências como China e Rússia

Especialistas avaliam que a nova postura do governo Trump poderá ampliar as pressões diplomáticas sobre governos latino-americanos (Foto:Gage Skidmore/Flickr)
Especialistas avaliam que a nova postura do governo Trump poderá ampliar as pressões diplomáticas sobre governos latino-americanos (Foto:Gage Skidmore/Flickr)

O Departamento de Estado divulgou nesta semana um vídeo institucional que provocou repercussões no Brasil e levantou questionamentos sobre soberania e influência internacional. Narrado pelo embaixador dos Estados Unidos no Panamá, Kevin Marino Cabrera, o vídeo afirma que o domínio americano na região “jamais será questionado novamente”.

A nova abordagem reflete o endurecimento da política de “América Primeiro” e sinaliza a intenção de Washington de exercer maior controle sobre rotas marítimas estratégicas, infraestrutura crítica e ativos de defesa nas Américas. A estratégia também indica uma postura de dissuasão militar e de manutenção da predominância comercial dos Estados Unidos na região. A declaração reforça ainda a estratégia de Segurança Nacional da Casa Branca, que estabelece a região como área prioritária de atuação e busca conter a influência de potências consideradas rivais, como China e Rússia.

Em julho, o Pentágono apresentou a países latino-americanos uma proposta de cooperação em segurança baseada em uma versão atualizada da Doutrina Monroe, formulada em 1823 com o objetivo de impedir novas intervenções e colonizações europeias no continente. Ao longo do século 20, porém, o princípio passou a ser associado à política de influência e às intervenções dos Estados Unidos na América Latina.

A iniciativa prevê o fortalecimento de alianças regionais, o combate ao crime organizado transnacional, a ampliação de operações conjuntas e a proteção de áreas consideradas essenciais para a segurança americana. A Colômbia tornou-se um dos principais exemplos dessa política. Neste mês, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, discutiu com autoridades colombianas o aprofundamento da cooperação contra grupos armados e organizações ligadas ao narcotráfico.

Reação brasileira

Na quarta-feira (12), durante audiência na Câmara dos Deputados, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, criticou a postura do governo Trump e afirmou que o Brasil rejeita a ideia de que a América Latina funcione como uma extensão subordinada dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos. Ele enfatizou que o país manterá uma política externa independente, sem aceitar “alinhamentos automáticos” nem restrições às suas parcerias internacionais.

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