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Estaduais em xeque: o que causou a perda de atratividade?

Torneios antigamente valorizados foram (novamente) reduzidos a um limite de datas a partir desta temporada em tentativa de flexibilizar espaços no calendário

Os Campeonatos Estaduais estão perdendo seu charme. Na foto, um Fla-Flu decisivo em 2016 (Foto: Gabriel Jabur/Wikimedia)
Os Campeonatos Estaduais estão perdendo seu charme. Na foto, um Fla-Flu decisivo em 2016 (Foto: Gabriel Jabur/Wikimedia)

COLABORAÇÃO / No Ângulo do Gol / Leonardo Macedo @noangulodogol

A última semana marcou o pontapé dos campeonatos estaduais e consequentemente, relembra uma já velha realidade dos torneios no Distrito Federal e nos demais 26 estados brasileiros: jogos de baixo apelo técnico, pouca ou nenhuma premiação financeira ao campeão, entre outros detalhes que culminam em estádios quase sempre vazios. Ademais, os principais clubes, especialmente os do Rio de Janeiro, tendem a começar o campeonato com elencos integrados por atletas do sub-20, ao menos nas três ou quatro rodadas iniciais, priorizando uma melhor pré-temporada para um calendário preenchido por compromissos.

Para o ano de 2026, a nova direção da CBF, capitaneada pelo presidente Samir Xaud, fez ajustes significativos ao calendário. Praticamente a totalidade dos impactos atingiu os torneios estaduais, que tiveram uma redução na duração a um máximo de apenas doze datas. Há claras e múltiplas razões para isto. Eram competições excessivamente prolongadas, e simultaneamente de demanda, rentabilidade e nível técnico com patamares aquém se comparados aos de campeonatos nacionais e internacionais. Além disso, vale citar as expansões primeiramente da Copa do Brasil, ainda em 2013, e posteriormente da Libertadores e da Sul-Americana, em 2017. Tudo em meio a um calendário inchado, com partidas de janeiro a dezembro para clubes da elite brasileira, que resultaram na perda da atratividade de torneios que já foram empolgantes.

O grande exemplo consiste no Campeonato Carioca, que já foi apontado como o estadual mais charmoso do Brasil, e por fim era o mais transmitido no nosso território. Nestes tempos, ele era disputado por 16 equipes, e a decisão do torneio era composta pelos vencedores das taças Guanabara e Rio, sendo que uma dupla conquista por um clube faria dele diretamente campeão carioca sem a necessidade de uma final. Um determinado time teria de enfrentar ao menos uma vez cada oponente, seja ele rival ou não, em algum dos turnos. E se viam excessivos clássicos, garantindo provocações em escolas e no trabalho à medida que o campeonato se desenrolava.

Em um passado ainda mais distante, a Libertadores era menos valorizada pelos brasileiros e não havia sido instituído o Campeonato Brasileiro, o que ocorreu em 1971. Isso faziam dos estaduais campeonatos cruciais, uma vez que a disputa da Taça Brasil era composta pelos clubes campeões dos estados.

Atualmente, tudo mudou. Se há algum charme, ele respira por aparelhos, em um período em que os quatro maiores iniciarão suas campanhas no Brasileirão já neste mês de janeiro, além do fato de que o Botafogo terá também o desafio da Pré-Libertadores em fevereiro. Com exceção do Paulistão, que, dentro das possibilidades, segue competitivo a partir de um regulamento traiçoeiro para os que sistematicamente preservam atletas, algo semelhante ocorre nos demais estaduais.

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