O envio de aviões militares americanos para a Groenlândia reacendeu tensões geopolíticas no Ártico e ampliou a apreensão no território autônomo dinamarquês, que passou a discutir abertamente a possibilidade — ainda que remota — de uma ação militar dos Estados Unidos. A movimentação, anunciada pelo Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad), ocorre em um momento marcado pela retórica de Donald Trump sobre “tomar” a ilha da Dinamarca e por seu embate com líderes europeus.
Segundo o Norad, os Estados Unidos deslocarão caças — provavelmente modelos avançados F-35 — para a base de Pituffik, no norte da Groenlândia. O comando, que reúne EUA e Canadá na vigilância do extremo norte das Américas, afirmou que a operação é rotineira, planejada com antecedência e realizada em cooperação com as Forças Armadas da Dinamarca, acrescentando que o governo groenlandês foi previamente informado.
Embora exercícios de interceptação de aeronaves hostis no Ártico e de monitoramento de ameaças estratégicas façam parte da rotina na região, o “timing” da operação chama atenção, uma vez que coincide com a intensificação do confronto verbal do presidente americano com aliados europeus. Paralelamente, países da Europa membros da Otan enviaram, às pressas, soldados e equipamentos para um exercício militar organizado de última hora, com o objetivo de demonstrar que o continente tem capacidade de defender o território autônomo.
Groenlândia acredita em possível invasão dos EUA
Em declarações feitas na terça-feira (20), o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que não pode descartar completamente uma invasão americana. Ele classificou o cenário como “improvável”, mas reconheceu o clima de incerteza ao revelar que o governo orientou os 57 mil habitantes da ilha a manterem provisões para pelo menos cinco dias — uma medida de precaução que simboliza o grau de apreensão no território.
Embora autoridades militares e analistas afastem a hipótese de um confronto entre aliados da Otan, o momento é considerado delicado. Nas redes sociais, proliferam rumores sobre cenários extremos, incluindo uma eventual ocupação parcial da área ao redor da base de Pituffik, onde já atuam cerca de 200 militares e servidores civis americanos.
