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Flórida detecta arsênio em doces populares

Estudo do Florida Department of Health aponta presença da substância em 28 produtos; indústria questiona metodologia e diz que itens são seguros.

Relatório estadual analisou 46 doces populares vendidos nos EUA e apontou presença de arsênio em 28 deles; não houve recall dos produtos. Foto: Reprodução TV

O Florida Department of Health divulgou relatório apontando a presença de arsênio em 28 de 46 doces populares, como Snickers, Kit Kat e Skittles. Os testes fazem parte da iniciativa estadual “Healthy Florida First” e envolveram produtos de 10 fabricantes.

Foi medido o arsênio total nos alimentos, sem diferenciar as formas orgânica e inorgânica. A distinção é relevante, já que o arsênio inorgânico é a forma mais tóxica. A Organização Mundial da Saúde classifica a substância como de risco à saúde pública em casos de exposição prolongada e em níveis elevados.

O estado calculou limites anuais de consumo considerados seguros, principalmente para crianças. Alguns produtos atingiriam mais rapidamente o limite anual definido pela Flórida. Twizzlers Morango chegariam ao teto com quatro unidades por ano, enquanto Snickers e Kit Kat atingiriam o limite com cerca de 2,5 unidades anuais. Jolly Ranchers (maçã azeda e morango) chegariam a seis unidades, e Trolli Sour Brite Crawlers, a 12 unidades por ano.

Apesar da divulgação, não houve recall nem retirada dos produtos do mercado. As autoridades estaduais afirmaram que o risco depende da quantidade e da frequência de consumo.

Técnicos ouvidos pela imprensa afirmam que o relatório não detalha a metodologia, como o número de amostras por produto, o que dificulta avaliar o peso científico dos resultados. A presença de traços não torna automaticamente um alimento inseguro, já que o risco depende da dose e da frequência de consumo.

Até agora, nenhuma agência federal anunciou mudanças regulatórias com base no documento.

A Associação Nacional de Confeiteiros (National Confectioners Association) contestou o relatório e afirmou que doces e chocolates são seguros. A entidade criticou o uso de parâmetros diferentes dos padrões federais adotados por órgãos como a FDA e disse que a divulgação sem comparação com limites nacionais pode gerar interpretação equivocada.

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