A inflação voltou a ganhar força e atingiu quase 5% nos últimos 12 meses, o maior nível em três anos, segundo o Labor Department. A alta foi impulsionada principalmente pela energia, que responde por mais de 60% do aumento mensal, com destaque para a gasolina, pressionada por tensões no Oriente Médio.
Para quem vive nos EUA, o impacto segue perceptível no dia a dia. Os preços dos alimentos tiveram variação moderada no mês, mas continuam em patamar elevado depois de anos de alta acumulada.
Outro fator estrutural de pressão é a moradia. Os preços de aluguel seguem em alta e avançaram 0,4% no mês, mantendo o segmento entre os principais responsáveis pela persistência da inflação. Como o custo de habitação tem grande peso no índice oficial, ele tende a sustentar a inflação mesmo quando categorias mais voláteis oscilam.

O impacto vai além das contas do supermercado e da moradia. Dados do governo mostram queda recente nos ganhos salariais reais, indicando perda de poder de compra em certos períodos. Gastos com transporte, saúde e outros serviços continuam pressionando os orçamentos domésticos.
Também há pressão de serviços e seguros, que seguem em níveis elevados e ajudam a manter o custo de vida alto mesmo em períodos de desaceleração parcial em outros itens da cesta.
A persistência da inflação reforça a cautela do Federal Reserve nas próximas decisões. Mesmo com sinais de moderação em alguns componentes, o cenário ainda aponta para juros elevados por mais tempo.

