As condições nos centros de detenção do ICE voltaram a ser alvo de críticas após dois casos que ganharam repercussão nesta semana. Na Flórida, a jogadora de futebol venezuelana Claudia Rodríguez, conhecida por ter sido capitã da equipe feminina da University of St. Thomas, em Miami Gardens, foi libertada depois de quase três semanas sob custódia.
Moradora do sul da Flórida desde 2017, Claudia foi detida no aeroporto de Fort Lauderdale quando embarcava para a Carolina do Norte. Ela contou que passou oito dias em uma cela superlotada em Miramar, dormindo no chão, sem banho, com alimentação insuficiente e demora no atendimento médico. Ao descrever a experiência, afirmou que “se sentia como um animal em um zoológico”. A atleta também disse ter conhecido mulheres que perderam a gravidez durante a detenção e uma paciente com câncer que teve a quimioterapia interrompida. Após pressão de políticos e familiares, ela foi libertada sob fiança e monitoramento eletrônico.
Dias depois, outro caso chamou atenção no Centro de Processamento do ICE em Adelanto, na Califórnia. O mexicano Carlitos Ricardo Parias divulgou um vídeo mostrando o que seriam larvas na água fornecida aos detentos. Segundo a família, a água apresentava mau cheiro e era usada para beber e cozinhar. O caso ocorreu semanas após uma juíza federal determinar melhorias nas condições da unidade.

Em nota, o Departamento de Segurança Interna (DHS) negou as acusações e afirmou que o centro recebe água da rede pública da cidade, submetida a testes de qualidade.
