Mais de 120 mil câmeras de leitura automática de placas, instaladas pela empresa Flock Safety, cobrem praticamente todo o território dos Estados Unidos, com contratos em milhares de departamentos de polícia. O sistema fotografa veículos em tempo real e cria um banco de dados nacional pesquisável, usado para localizar carros roubados e suspeitos de crimes.
A tecnologia também gerou episódios de uso indevido. Uma reportagem do jornal Washington Post revelou que 46 policiais em diferentes estados foram acusados de usar o sistema para fins não autorizados, incluindo casos de agentes que rastrearam ex-parceiras e outras mulheres com quem tinham relação pessoal. O fundador da empresa, Garrett Langley, pediu desculpas publicamente e anunciou novas ferramentas de auditoria, exigindo que cada busca seja vinculada a um número de ocorrência policial.
A reação já é visível nas ruas. Mais de 50 cidades e órgãos de segurança cancelaram ou suspenderam contratos com a Flock neste ano, e câmeras chegaram a ser vandalizadas em algumas comunidades. Um aplicativo colaborativo chamado DeFlock também permite que moradores mapeiem a localização dos dispositivos como forma de protesto.
Agora, motoristas também podem checar se a própria placa já foi pesquisada no sistema. O site gratuito HaveIBeenFlocked.com cruza o número informado com registros de auditoria obtidos via pedidos de acesso à informação pública, reunindo mais de 4,6 milhões de placas ligadas a cerca de 242 milhões de buscas.
O projeto é mantido pela Fundação Alternative Newsweekly (ANF), organização sem fins lucrativos, e afirma não guardar as placas digitadas pelos usuários. Os resultados podem demorar meses para aparecer, já que dependem da divulgação pública dos registros pelas autoridades.
