Estados Unidos

Mais de 120 mil câmeras monitoram placas nos EUA. Veja se a polícia pesquisou a sua

Site gratuito permite consultar registros de busca por placa, enquanto empresa lida com denúncias de uso indevido por parte de policiais

Câmera automatizada da Flock Safety instalada no Colorado, um dos estados que integram a rede nacional de leitura de placas usada por milhares de departamentos de polícia.(Foto: Tony Webster/ Wikimedia Commons)

Mais de 120 mil câmeras de leitura automática de placas, instaladas pela empresa Flock Safety, cobrem praticamente todo o território dos Estados Unidos, com contratos em milhares de departamentos de polícia. O sistema fotografa veículos em tempo real e cria um banco de dados nacional pesquisável, usado para localizar carros roubados e suspeitos de crimes.

A tecnologia também gerou episódios de uso indevido. Uma reportagem do jornal Washington Post revelou que 46 policiais em diferentes estados foram acusados de usar o sistema para fins não autorizados, incluindo casos de agentes que rastrearam ex-parceiras e outras mulheres com quem tinham relação pessoal. O fundador da empresa, Garrett Langley, pediu desculpas publicamente e anunciou novas ferramentas de auditoria, exigindo que cada busca seja vinculada a um número de ocorrência policial.

A reação já é visível nas ruas. Mais de 50 cidades e órgãos de segurança cancelaram ou suspenderam contratos com a Flock neste ano, e câmeras chegaram a ser vandalizadas em algumas comunidades. Um aplicativo colaborativo chamado DeFlock também permite que moradores mapeiem a localização dos dispositivos como forma de protesto.

Agora, motoristas também podem checar se a própria placa já foi pesquisada no sistema. O site gratuito HaveIBeenFlocked.com cruza o número informado com registros de auditoria obtidos via pedidos de acesso à informação pública, reunindo mais de 4,6 milhões de placas ligadas a cerca de 242 milhões de buscas.

O projeto é mantido pela Fundação Alternative Newsweekly (ANF), organização sem fins lucrativos, e afirma não guardar as placas digitadas pelos usuários. Os resultados podem demorar meses para aparecer, já que dependem da divulgação pública dos registros pelas autoridades.

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