Aumenta número de crianças mortas por armas de fogo nos EUA, revela pesquisa

Óbitos causados por ferimentos a bala foram apontados como segunda causa de mortes de crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos em 2020, atrás apenas de acidentes de veículos automotores

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Elijah LaFrance foi atingido por um tiro no dia do seu terceiro aniversário em Miami-Dade (foto: Miami Dade's Police Department)

A violência armada está matando um número cada vez maior de crianças nos EUA, segundo informou um relatório da organização Gun Violence Archive divulgado nesta segunda-feira (11).

De acordo com os dados, o número de menores de 17 anos mortos a tiros no país saltou de 991, em 2019, para 1,375, em 2020 e, este ano, está no caminho para ser ainda pior. 

Desde 1º  de janeiro até a última quarta-feira (6), o estudo registrou que 1,165 jovens haviam morrido por armas de fogo e outros 3,216 ficaram feridos.

Dados divulgados pelo FBI no final de setembro deste ano também confirmam essa tendência.  Conforme a agência, os tiros foram a segunda causa de mortes de crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos em 2020, uma alta de 30% em relação ao ano anterior,- atrás apenas de acidentes de veículos e à frente da soma entre os casos de câncer e problemas cardíacos.

Especialistas acreditam que o estresse relacionado à pandemia de covid-19 combinados com o fácil acesso a armamentos levam a disputas que geralmente terminam em tiroteios.

Em abril deste ano, uma discussão envolvendo um  grupo de adultos escalou para uma troca de tiros próximo à Northeast 158th Street, em Golden Glades, no condado de Miami-Dade.

O menino Elijah LaFrance, que comemorava seu terceiro aniversário em uma casa em frente ao local foi atingido por um disparo e faleceu. A polícia chegou a oferecer $67,5 mil para quem tivesse informações sobre os suspeitos, que nunca foram localizados.

“Estávamos brincando quando ele foi atingido”, disse na época o tio de Elijah, Adrian Annestor ao WTVJ Channel 6.“Eu gostaria que pudesse ter sido eu, porque já vivi o suficiente, ele nem conseguiu dizer ‘mamãe’ ou ‘papai’”, acrescentou.