Mais de um ano após o anúncio do presidente Donald Trump de transformar a base de Guantánamo, em Cuba, em um centro de detenção para até 30 mil migrantes, a realidade está muito abaixo do prometido.
Dados do governo dos EUA analisados pela CBS News indicam que a instalação abriga hoje apenas cerca de seis a oito detentos de imigração, todos haitianos, embora mais de 800 pessoas já tenham sido transferidas ao local ao longo do último ano.
A operação, porém, custa cerca de US$ 70 milhões e mobiliza mais de 500 militares e agentes de imigração, o que coloca a proporção em aproximadamente 100 funcionários para cada detento. A capacidade real da base também é muito menor do que o anunciado: cerca de 400 leitos.
Em meio às críticas, casos individuais ajudam a ilustrar a operação. Uma cidadã brasileira transgênero, Tarlis Marcone De Barros Gonçalves, afirma ter sido transferida pelo ICE para Guantánamo durante seu processo de asilo em 2025. Em depoimento à Justiça dos EUA, ela relatou restrições de acesso a advogado, limitações de alimentação e condições degradantes durante a detenção.
O governo defende a política como parte do combate à imigração ilegal. Já organizações de direitos civis e parlamentares democratas classificam a operação como cara, ineficiente e juridicamente contestada.
A legalidade do uso da base para migrantes civis segue sendo questionada em tribunais federais.
Com informações CBS News.
