O Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) afirmou ter identificado mais de 10 mil estudantes estrangeiros possivelmente ligados a esquemas de fraude envolvendo o programa OPT (Optional Practical Training), que permite a estrangeiros com visto F-1 trabalhar temporariamente no país após a graduação.
Segundo o diretor interino do ICE, Todd Lyons, a investigação aponta o uso de empresas consideradas suspeitas, incluindo estruturas sem atividade real, endereços inexistentes e registros de estudantes vinculados a supostos empregos que nunca teriam existido.
As apurações fazem parte de uma ação nacional conduzida pelo Homeland Security Investigations (HSI), que visitou empresas em estados como Flórida, Virgínia, Texas, Geórgia, Illinois, New York, New Jersey e Carolina do Norte. Em alguns locais, agentes encontraram prédios vazios ou ausência de qualquer operação compatível com o número de trabalhadores registrados.
De acordo com o ICE, há ainda casos de estudantes vinculados a empresas registradas em endereços residenciais ou que compartilhariam o mesmo espaço físico sem qualquer estrutura de funcionamento. Em parte das situações, investigadores relatam inconsistências nas informações fornecidas por supostos empregadores.
Lyons afirmou que parte dos casos envolve o que chamou de “funcionários fantasmas”, estudantes com autorização de trabalho ativa, mas sem vínculo real com empresas declaradas. Ele disse ainda que os números representam apenas uma fração do total em análise.
O OPT foi criado para permitir experiência profissional na área de formação após a conclusão do curso, com extensão para áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). No entanto, autoridades afirmam que a expansão do programa aumentou o risco de fraudes e uso indevido do sistema.
O governo dos EUA afirma que a investigação continua e que novos casos podem surgir nos próximos meses. Estudantes e empresas envolvidos em irregularidades podem perder o status migratório e enfrentar sanções administrativas.
Com informações U.S. Immigration and Customs Enforcement / ABC News.
