Brasileira ajuda polícia da Flórida a desvendar crimes

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Existem apenas 55 artistas forenses em todo os Estados Unidos e não existe curso específico para a formação de profissionais

Joselina Reis

A brasileira Catyana Skory, 37 anos, reuniu talento artístico e perseverança para chegar a uma profissão desconhecida pelo público, mas muito importante para a polícia, a de artista forense. Seu trabalho é fundamental em casos de identificação de vítimas e construção de retrato falado de criminosos. Desde 2008, ela integra o seleto grupo de 55 profissionais da área em todo os Estados Unidos, sendo a única brasileira.

Catyana Skory

O trabalho de artista forense é um aglomerado de habilidades e por isso não existe um curso específico para área. Para quem sonha com a carreira, vale lembrar que também não vai encontrar a vaga em classificados. Catyana levou oito anos para achar a posição de artista forense no Broward Sherrif Office, onde trabalha atualmente. A profissão tem pré-requisitos únicos e exige talento e muito sangue frio. “No começo tive que ser muito forte. Às vezes era a única mulher no grupo de homens em uma cena horrível de crime”, lembra ela.

Entre os trabalhos que um artista forense precisa desenvolver está a de identificação de cadáveres. O que parece algo estranho para algumas pessoas, para ela é o mais fácil de fazer e o que lhe dá muito orgulho. “Fico feliz em ajudar a família a encontrar um parente desaparecido”, conta.

Há dois meses, diz a artista, ela trabalha em um caso que já dura 35 anos nos arquivos do BSO. Ela conseguiu reconstruir a face de um homem, cujo cadáver estava sem identificação desde a década de 70. Ela conta que uma pessoa já procurou o BSO e alega que o homem não identificado pode ser seu tio. “Estamos em fase de pesquisa de DNA da vítima e dessa pessoa. Sinto orgulho desse trabalho”, enfatiza.

No entanto, as atribuições de Catyana não se restrigem somente a usar massa de modelar sobre crânios, ela também precisa ir às câmaras frigoríficas e olhar diretamente para o cadáver, às vezes em processo de decomposição e/ou destruídos em acidentes para fazer um retrato falado para a polícia. Com essa foto, feita a lápis, a polícia pode tentar identificar vítimas que não possuíam nenhum documento na hora da morte.”Pelas regras da profissão, temos que desenhar a pessoa como ela seria se estivesse viva, por isso sempre faço o desenho da pessoa com olhos abertos e a face limpa de qualquer ferimento”, enfatiza.

Porém, Catyana revela que isso ainda não é o mais díficil. Na sua opinião, entrevistar vítimas que ainda sofrem com o que ocorreu e tentar tirar informações para reconstruir um retratado falado do acusado é o mais dificíl. “Essas pessoas choram lembrando dos detalhes do crime, eu nunca sei o quanto posso confiar no que elas ainda lembram ou no que elas entendem do idioma”, relembra.

Profissão

Para ser chegar à profissão, Catyana, que nasceu em São Paulo, mas foi criada em Nova York, fez graduação em Artes Plásticas, História e Antropologia. Ela lembra que nunca imaginou trabalhar para a polícia, mas quando leu um romance onde um artista forense tinha papel principal achou que podia se dar bem no ramo.

Ela procurou saber mais sobre a profissão e a única coisa que encontrou foi um curso de mestrado em Ciência Forense. Depois de fazer o curso, ela ainda levou dois anos para conseguir trabalho como investigadora criminal no estado da Virgínia e só em 2008 encontrou uma vaga no BSO, na Flórida. O retorno financeiro para a profissão está entre 45 a 65 mil ao ano.

Em 2009, ela criou na internet um grupo de discussão sobre o trabalho de artista forense. Até agora cerca de 200 profissionais nos Estados Unidos participam, falando sobre seu trabalho e as últimas novidades em tecnologia de identificação de imagens.