Brasileira cria ‘caneta’ que detecta câncer durante cirurgia

Cientista de 33 anos chefia um laboratório na Universidade de Austin, no Texas, e já recebeu ‘bolsa dos gênios’ pelo trabalho

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Livia Eberlin chefia laboratório de pesquisa no Texas FOTO John D. e Catherine T MacArthus Foundation CP
Livia Eberlin chefia laboratório de pesquisa no Texas FOTO John D. e Catherine T MacArthus Foundation CP

A cientista brasileira Livia Schiavinato Eberlin, de 33 anos, desenvolveu uma espécie de caneta capaz de detectar células tumorais em poucos segundos durante uma cirurgia. Livia se formou em Química, pela Unicamp, e vive nos Estados Unidos há dez anos. Ela é chefe de um laboratório de pesquisa da Universidade do Texas em Austin. As informações são do Estadão.

A química iniciou há quatro anos os estudos desse dispositivo, que já teve resultados promissores ao ser usado na análise de 800 amostras de tecido humano.

Nos Estados Unidos, Livia ganhou destaque na comunidade científica ao ser uma das personalidades selecionadas em 2018 para receber a renomada bolsa da Fundação MacArthur, conhecida como “bolsa dos gênios” e destinada a profissionais com atuação destacada e criativa em sua área. O prêmio, no valor de $625 mil, é de uso livre pelo bolsista.

Em entrevista exclusiva ao Estadão, a pesquisadora explicou que a caneta, batizada de MacSpec Pen, tem como principal objetivo certificar, durante uma cirurgia oncológica, que todo o tecido tumoral foi removido do corpo do paciente. Isso porque nem sempre é possível visualizar a olho nu o limite entre a lesão cancerosa e o tecido saudável. “Muitas vezes o tecido é retirado e analisado por um patologista ainda durante a cirurgia para confirmar se todo o tumor está sendo retirado, mas esse processo leva de 30 a 40 minutos e, enquanto isso, o paciente fica lá, exposto à anestesia e a outros riscos cirúrgicos”, explica Livia.

O resultado da primeira etapa do estudo foi publicado na prestigiada revista científica Science Translational Medicine em 2017. Depois, o grupo de pesquisa da brasileira nos EUA ampliou a investigação para 800 amostras de tecido e, mais recentemente, obteve autorização de comitês de ética de instituições americanas para testar a técnica em humanos, durante cirurgias reais.

“Apesar dos bons resultados em amostras de tecido, o modelo ainda precisa ser validado em testes clínicos. Se os resultados forem confirmados, ainda deve demorar de dois a três anos para a caneta ser lançada como produto”, opina Livia. O dispositivo já foi testado para câncer de cérebro, ovário, tireoide, mama e pulmão, e está começando a ser usado também nas pesquisas de tumor de pele.

Caso a técnica se mostre eficaz também para esse tipo de câncer, ela poderia ser usada para identificar se pintas ou outras lesões de pele são malignas sem a necessidade de remoção de uma parte do tecido, o que pode trazer danos estéticos. (Com informações do Estadão Conteúdo)