Brasileira faz campanha para pedir desfibrilador em escolas

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Filho de 17 anos de Adriana Cunha Gomez foi salvo pelo equipamento depois de uma parada cardíaca

Joselina Reis

Freddie Cunha com a mãe, Adriana Cunha GomezNo dia 1º de novembro, quando estava no trabalho, a brasileira Adriana Cunha Gomez recebeu uma ligação que assustaria qualquer mãe.

“Eu achei que eles estavam falando de outra pessoas e não do meu filho, um atleta de 17 anos”, conta a gaúcha que, ao chegar no hospital, soube que o filho havia sofrido uma parada cardíaca e havia ficado quase 20 minutos sem oxigênio. “Ele morreu e o trouxeram de volta”, conta a mãe ainda emocionada.

Freddie Cunha estava jogando basquetebol na quadra da escola Ledford High School, em Thomasville (NC), quando de repente caiu desacordado. Professores e amigos perceberam que ele não respirava e não tinha batimentos cardíacos. Duas enfermeiras que trabalham diariamente na escola atendendo os alunos chegaram rapidamente e usaram um equipamento chamado desfibrilador, e através de choques elétricos conseguiram reverter a parada cardíaca.

Adriana lembra que quando chegou ao hospital ficou em choque. “Eu não acreditava no que eles estavam me contando. Meu filho nunca havia sentido nada, era um atleta, tinha excelente saúde e de repente havia caído morto na quadra de esportes”, lembra.

Freddie ficou em coma induzido por cinco dias e os médicos preparavam Adriana para o pior: as possíveis sequelas pela falta de oxigênio no cérebro por um período tão longo. Quando acordou, Freddie, que nasceu em Porto Alegre (RS), não lembrava dos últimos dois anos de sua vida.

Desde novembro, conta a mãe, Freddie já recuperou cerca de 90% da memória, só não consegue lembrar do dia em que desmaiou. Depois do susto, Adriana começou a pesquisar sobre morte súbita e as informações que vem adquirindo a tem ajudado a alertar outros pais sobre a necessidade de exigir que escolas tenham o equipamento disponível e que, pelo menos uma pessoa seja treinada para usá-lo.

“Nós tivemos sorte de que a escola de Freddie possui três equipamentos, caso contrário o pior teria acontecido”, lembra a gaúcha que já participou de palestra explicativa sobre o desfibrilador na escola da filha caçula de dois anos.

No condado de Broward existem 388 desfibriladores espalhados pelas 310 escolas e centro educacionais públicos. Ao todo, esses equipamentos estão disponíveis a 260 mil estudantes.

De acordo com a assessoria de imprensa do distrito escolar, todas as escolas possuem pelo menos um desfibrilador, sendo que em algumas, dependendo do número de estudantes e dos programas oferecidos, dois equipamentos estão à disposição. A assessoria também afirmou que todas as escolas que possuem o desfibrilador (AED, sigla em inglês) mantém um funcionário treinado para usá-lo.