Brasileiros nas semifinais da Libertadores

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Grêmio e Palmeiras já estão garantidos para as semifinais da Copa Libertadores da América. O Grêmio, atual campeão do torneio, tenta repetir a dose. Apesar de alguns sustos no início da partida, o Tricolor gaúcho tomou conta da partida e a melhor categoria do time brasileiro prevaleceu. Assim, foi uma questão de tempo para Luan abrir o placar e melhorou ainda mais após o pênalti cometido pelo goleiro do Atlético de Tucumán (que acabou expulso no cargo). Cícero cobrou e marcou. O time de Porto Alegre foi para o intervalo com a vantagem de 2 a 0. Na segunda etapa, Alisson e Jael (de pênalti) marcaram e deram números finais ao jogo, que terminou em 4 a 0 na Arena Grêmio, no dia 2 de outubro.

Cada vez mais se destaca a liderança de Renato Gaúcho como comandante do Grêmio. Além de estar entre as quatro melhores equipes da América do Sul, seu time está vivo no Campeonato Brasileiro, onde ocupa a quarta posição, com 50 pontos, a três dos líderes Palmeiras e Internacional. A equipe gaúcha é aquela que possivelmente pratica a melhor combinação entre futebol vistoso e resultados. Portanto, a partir disto, subiu muito a cotação de Renato no mercado de treinadores. O Flamengo, por exemplo, está ansioso em contratá-lo. Seria uma boa porque ele construiu uma carreira vencedora no Rubro-Negro carioca, assim como no próprio Grêmio. Claro que o Tricolor dos Pampas está bastante satisfeito  com seu comandante e pretende contar com ele na próxima temporada.

O Grêmio já conhece seu adversário na semifinal. Será o poderoso River Plate que derrotou o Independiente no clássico argentino por 3 a 1. A primeira partida será em Buenos Aires no dia 24 de outubro e a segunda em Porto Alegre no dia 31 de outubro.

Agora, o Tricolor do Sul volta suas atenções para o Brasileirão para conquistar o título que não conquista há 22 anos. O próximo compromisso será no sábado (6) contra o Bahia, na Arena Grêmio. Se quiser sonhar com o título, precisa vencer o Tricolor baiano.

Palmeiras se classifica com tranquilidade

O Palmeiras já havia vencido o Colo Colo por 2 a 0 no jogo de ida em Santiago. Na quarta-feira (3), o Verdão voltou a vencer pelo mesmo placar. No primeiro tempo, o Alviverde fez 1 a 0, com um golaço de Dudu, e pouco mais se viu em campo. Na segunda etapa, porém, o Palmeiras voltou com outra disposição e praticou um futebol bonito e eficiente. Dudu, o melhor em campo, aterrorizou a defesa chilena e sofreu pênalti. O escolhido para a cobrança foi Borja. O colombiano estava há um mês sem marcar e não desperdiçou a oportunidade, batendo muito bem e dando números finais ao placar. De quebra, assumiu a liderança na artilharia da Libertadores, ao lado de Morello, do Independiente Santa Fe. O atacante do clube da Colômbia obteve esta marca com gols anotados na Pré-Libertadores, porém, sua equipe já foi eliminada. Borja, por sua vez, tem pelo menos mais dois jogos para se isolar na artilharia da competição.

Como o jornal foi fechado antes da partida realizada entre Cruzeiro e Boca Juniors, não dá para analisar o confronto com o Palmeiras, pois daí saiu o adversário do Verdão. O clube argentino disputou a partida com a vantagem de 2 a 0 no Mineirão. O clube de Belo  Horizonte precisava reverter o resultado para reprisar a semifinal da Copa do Brasil que reuniu os dois Palestras (paulista e mineiro). Os jogos decisivos estão marcados para os  dias 23 e 30 de outubro, com o segundo jogo no Allianz Parque. Interessante notar que todos semifinalistas já venceram a Copa Libertadores da América.

O Palmeiras agora volta a se concentrar no Brasileirão, e tem um compromisso bem difícil com o São Paulo no Morumbi em jogo que reúne o primeiro e o terceiro colocados. O Cruzeiro, por sua vez, recebe o Ceará em Belo Horizonte.

Erros de arbitragem e a polêmica do VAR agitam futebol brasileiro

Com as transmissões esportivas cada vez mais sofisticadas, os erros de arbitragem começaram a ser desnudados e aumentou o descontentamento de dirigentes, jogadores e torcedores dos clubes de futebol. Esta insatisfação acabou gerando o VAR (Video Assistant Referee), instrumento de tecnologia que analisa as jogadas com recursos de vídeo em uma cabine para auxiliar os árbitros.

De volta para o passado me lembro bem que muita gente tinha ojeriza por recursos tecnológicos. Diziam que isto tiraria a “graça do futebol porque erro de arbitragem acontece mesmo”. Houve até uma declaração do teatrólogo e jornalista Nelson Rodrigues que ficou nos anais da crônica esportiva. Torcedor fanático do Fluminense, defendia uma jogada em que o Flu teria sido prejudicado pelo árbitro. Alguém da mesa pediu para a técnica rodar o VT e as imagens comprovaram que o árbitro havia acertado em sua decisão. Diante da clara evidência, só restou declarar em alto e bom som: “O videotape é burro”. Logicamente os integrantes da mesa riram muito, sobretudo os simpatizantes dos clubes rivais do Rio de Janeiro. E isto foi na década de 60!

Fast forward para os tempos atuais. Os técnicos de imagens colocam câmeras nos locais estratégicos de um campo de futebol para captar imagens exclusivas e diferentes que servem depois para ilustrar vários programas esportivos das emissoras de televisão. Desta forma, é até desleal comparar este arsenal tecnológico com a situação do trio de arbitragem que tem de decidir em fração de segundo um lance que pode determinar o clube campeão. Em caso de erro, isto significa decepção para o perdedor que nada mais pode fazer a não ser lamentar.

Para piorar a situação da arbitragem, os analistas – ex-árbitros de futebol, ex-jogadores e jornalistas esportivos – podem rever as imagens em câmera lenta e até congelar um ângulo a fim de mostrar onde o árbitro ou o bandeirinha se equivocou. Portanto, diante desse avanço da tecnologia, tornou-se imprescindível os campeonatos incorporarem o VAR nas arbitragens.

Aliás, isto já ocorre em outros esportes. No tênis há o hawk eye, onde o tenista pode pedir ao árbitro de cadeira a revisão de uma jogada com a qual não concordou com a decisão. Aí, entra o vídeo confirmando se a bola estava ou não dentro da quadra. No basquete, a NBA sempre recorre ao VAR para dirimir dúvidas em lances polêmicos. Novamente, os árbitros têm tempo de ver e rever o lance e decidir entre eles o que fazer. Talvez o futebol americano seja aquele que mais incorporou a tecnologia em seu cotidiano. Há até mesmo regras definidas para desafiar a arbitragem. Como pedido de tempo é fator crucial neste jogo, o técnico que solicitar a revisão da jogada (isto é feito jogando-se uma bandeira vermelha) pode perder um pedido de tempo, caso a decisão dos árbitros esteja correta. Se o pedido dele for aceito, ele não só mantém seu pedido de tempo intacto (são três pedidos de tempo em cada etapa) como ainda veem a arbitragem a reconsiderar sua decisão.

Isto posto, voltemos ao futebol, o esporte mais praticado em todo mundo que resistia aos apelos pela introdução da tecnologia em suas partidas. Paulatinamente, porém, o recurso de vídeo vem conquistando adeptos e se tornou quase impossível deter a corrente a favor do uso da tecnologia nesta modalidade. Esta, por sinal, deve ser a grande novidade do futebol no século XXI.

Grandes erros de arbitragem

Os erros de arbitragem avolumam-se ao mesmo tempo em que a gritaria pela adoção do VAR aumenta. Os puristas argumentam que seria injusto adotar o VAR apenas para as principais competições e não usá-lo em campeonatos de menor expressão. Entretanto, podemos comparar com o tênis. Ora, o hawk eye é usado apenas em torneios de Grand Slam e ATP/WTA tours. Torneios Challengers, com menor dotação, não usam este recurso. Por que? A resposta é simples. Tecnologia custa dinheiro e somente quem fatura mais pode pagar pelo uso dela. Simples assim.

Talvez o erro que deflagrou a corrente pró VAR tenha surgido na Copa do Mundo da África do Sul em 2010. Em uma partida entre Inglaterra e Alemanha, o meia inglês Frank Lampard desferiu um chute da entrada da área e acertou o travessão do goleiro alemão Manuel Neuer. A bola, no entanto, tocou o travessão e bateu atrás da linha de gol da seleção alemã e saiu. Gol claríssimo que o árbitro argentino Jorge Larrionda não validou ao acompanhar a decisão do seu compatriota, o bandeirinha Mauricio Espinoza. Na ocasião, se validado, o gol de Lampard teria decretado o empate transitório de 2 a 2. No entanto, o resultado final acabou sendo a vitória da Alemanha por 4 a 1 e a eliminação do English Team. Pior, todos espectadores no estádio viram o absurdo da decisão porque o telão repetiu o lance várias vezes, desrespeitando a própria ordem da Fifa para não mostrar lances da partida no telão.

Erros no futebol do Brasil

A partir daí, sucederam-se erros de arbitragem nos mais diversos campeonatos e torneios em todo mundo. Para não ficar aqui elencando os diversos erros estapafúrdios, vamos nos fixar em 2018. Na decisão do Campeonato Paulista, ficou decidido que não haveria uso de nenhum tipo de tecnologia. Pois exatamente no jogo final, a tecnologia interferiu no resultado da partida – e do campeonato. Como havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0 no Itaquerão, o Palmeiras precisava apenas de um empate no Allianz Parque para conquistar o título do Paulistão. Entretanto em uma jogada na qual o volante Ralf calçou o atacante Dudu do Palmeiras o árbitro assinalou pênalti sem hesitar. Após muitas reclamações dos jogadores corintianos, alguém comunicou o árbitro que o calço teria sido legal, portanto, não foi pênalti. Desta forma, o árbitro anulou a decisão e o jogo terminou 1 a 0 para o Timão, que acabou derrotando o Verdão na série de penalidades máximas, sagrando-se campeão. Aqui há uma cincoerência, pois se não havia tido interferência tecnológica durante todo campeonato ficou ridículo recorrer a ela justamente na partida decisiva.

A fim de tentar dirimir os erros da arbitragem (eliminar é impossível, porque muitos lances são interpretativos), um grupo de clubes reuniu-se com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para introduzir o VAR em suas partidas. A entidade máxima do futebol brasileira, todavia, alegou falta de verbas para pagar a tecnologia – dizem que custa entre R$30 mil e  R$ 50 mil por partida – e rebateu dizendo que adotaria a tecnologia desde que os clubes pagassem por isso. Foi-se então feita uma votação. Dos 20 clubes, apenas 19 votaram porque o presidente do São Paulo Carlos Augusto de Barros já havia ido embora no momento da votação. Foram favoráveis ao árbitro de vídeo: Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional. Foram contra: Corinthians, Santos, América-MG, Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Paraná, Vasco, Fluminense, Sport, Vitória e Ceará. Assim, com 12 votos contra e sete a favor, a CBF decidiu que não haveria árbitro de vídeo no Brasileirão. No entanto, incoerentemente, adotou a tecnologia na Copa do Brasil.

E foi justamente em um jogo da Copa do Brasil que ocorreu uma bizarrice. O árbitro Dewson Freitas do Pará impediu o empate do Palmeiras no Allianz Parque após o zagueiro palmeirense Antonio Carlos ter empurrado a bola para as redes do Cruzeiro e marcar o gol que seria o de empate entre as duas agremiações. Segundo o próprio árbitro, o gol não foi validado porque ele teria marcado falta de Edu Dracena sobre o goleiro Fábio do time mineiro antes da conclusão de Antonio Carlos. Ele descumpriu a orientação da Comissão de Arbitragem que é a de dar prosseguimento à jogada para depois pedir auxílio ao árbitro de vídeo – e a maioria dos ex-árbitros não teria marcado a falta de Dracena, portanto, o gol teria sido legal e o resultado final ficaria 1 a 1 – o mesmo placar registrado em Belo Horizonte. Aí, a decisão iria para a série de penalidades máximas e o vencedor poderia ser o próprio Cruzeiro (finalista da Copa do Brasil) ou o Palmeiras, que reclamou veementemente de ter sido prejudicado.

E o Palmeiras foi novamente vítima de erro de arbitragem no Campeonato Brasileiro – e de novo contra o Cruzeiro. O zagueiro Gustavo Gómez colocou a mão na bola na entrada da área e o árbitro assinalou pênalti. Mancuello cobrou e marcou para empatar a partida naquele momento. Porém, a vitória palmeirense apaziguou os ânimos mas não impediu a ida de Mauricio Galiotte, presidente do clube, à sede da CBF para protestar.

No mesmo domingo, o árbitro marcou um pênalti a favor do Internacional no jogo contra o Vitória que decretou a vitória do Colorado alegando que a mão na bola do zagueiro do clube baiano estava dentro da área, quando claramente estava fora. Alegam os torcedores e dirigentes do clube que antes o juiz havia anulado um gol legítimo de Nico Lopez, portanto, um erro anulou o outro. Na rodada anterior, o Inter também venceu o Corinthians com gol de Damião, claramente impedido – ele e mais três companheiros.

Não há um clube perseguido e outro favorecido. O Inter, por exemplo, teve um gol legítimo anulado contra o Palmeiras impedindo-o de ser vencedor. E o Corinthians também foi prejudicado com outro gol impedido no jogo contra o Flamengo. E o Atlético Paranaense foi derrotado pelo Santos graças a um pênalti inexistente marcado pela arbitragem no final da partida.

Árbitros são humanos e passíveis de erros, sobretudo em um ambiente tenso como um campo de futebol. Por isto, faz-se necessária a introdução do árbitro de vídeo para ajudar a arbitragem. Entretanto, não faz sentido começar a adotar o VAR agora há 11 rodadas do Brasileirão, como quer o presidente do Palmeiras. O jeito é adotar o VAR nos campeonatos do próximo ano e a CBF tem mesmo que custear isto, porque a entidade tem pouco gasto e muito faturamento com a Seleção Brasileira, formada pelos jogadores cedidos pelos clubes.

O Grêmio não encontrou dificuldades para golear o Atlético Tucumán por 4 a 0 na Arena, na noite desta terça-feira, e confirmar a vaga à semifinal da Libertadores pelo segundo ano consecutivo. Restou ao técnico Renato Gaúcho parabenizar a equipe pela classificação, após um início de jogo com sustos, e depois prever uma “briga de cachorro grande” contra o River Plate, próximo adversário.

O Tricolor entrou em campo com a vantagem do 2 a 0 na partida de ida, na Argentina. Com nada a perder, o Tucumán começou em cima e criou três boas chances para abrir o placar. Aos poucos, a equipe igualou as forças e “passou o carro” sobre o adversário. O treinador elogiou o “Decano” pela postura dentro das quatro linhas.

– Não era porque vencemos lá que teríamos facilidade. Tanto que vimos no começo do jogo. Já tinha falado na preleção. Então, meu grupo está de parabéns pela classificação. Não poderíamos menosprezar o adversário. Tem que dar os parabéns à equipe do Tucumán também. Tanto lá quanto aqui foram sujeito homens. Semifinal da Libertadores não é pouca coisa. O River é briga de cachorro grande. São mais 180 minutos. Mas vai ser difícil também para eles – destacou.

Chamado pelos jogadores de “clássico Brasil x Argentina”, o embate com o River promete rivalidade e casas cheias nas duas partidas. Porém, Renato reforçou a experiência do grupo que tem em mãos. Segundo ele, os atletas dão amostras há dois anos de que não sentem a pressão de enfrentar grandes equipes.

– Independentemente se são equipes argentinas ou não, em qualquer país estamos acostumados a jogar com casa cheia, sem sentir a pressão. O River é uma equipe experiente, que sabe jogar a competição. Mas o meu grupo também. Agora vamos trabalhar. Realmente vai parar essa semifinal. São duas potências dentro e fora de campo. Vai ser eletrizante, com certeza – acrescentou.

As datas de Grêmio x River Plate ainda necessitam de confirmação da Conmebol, mas devem ocorrer nas semanas dos dias 24 e 25 e, depois, entre 30 de outubro e 1º de novembro. No próximo sábado, o Tricolor enfrenta o Bahia, pela 28ª rodada do Brasileirão, novamente na Arena.

Confira a tabela completa dos jogos que serão transmitidos AO VIVO pelo PFC, de 5 a 11 de outubro (horários de Brasília).

Tabela completa dos jogos
Tabela completa dos jogos