Imigração

Calor extremo faz disparar mortes de migrantes no deserto do Arizona

Dezenove pessoas foram encontradas mortas em julho, o maior número mensal registrado na região em dois anos; entre as vítimas estavam mulheres e crianças

Forte calor e desidratação estão entre as principais causas das mortes no deserto do Arizona. (Foto: Ray Redstone/ Wikimedia Commons)

O deserto do Arizona registrou um aumento nas mortes de migrantes durante o verão. Em julho, 19 pessoas foram encontradas mortas na região da fronteira com o México, o maior número mensal em dois anos. Entre as vítimas havia mulheres e crianças.

Com os novos casos, 73 mortes de migrantes já foram registradas no Condado de Pima neste ano, 14 a mais que no mesmo período de 2025. Em todo o ano passado, foram 103 mortes.

A maioria dos casos está relacionada à desidratação e à exposição às condições extremas do deserto, onde as temperaturas podem ultrapassar os 104 °F (40°C). Também há registros de mortes por hipotermia, afogamentos e traumatismos.

Um dado chama atenção: cinco das pessoas encontradas em julho haviam morrido menos de 24 horas antes de serem localizadas. Ou seja, muitos dos casos são recentes e não apenas descobertas de restos mortais de pessoas desaparecidas há meses.

A situação preocupa organizações humanitárias porque acontece mesmo com a forte queda nas travessias registradas na fronteira sudoeste dos Estados Unidos. Para a Humane Borders, isso mostra que ainda há pessoas tentando cruzar a fronteira por áreas extremamente isoladas.

A organização alerta ainda que o número real de mortes pode ser maior, já que corpos podem nunca ser encontrados no vasto território desértico. Em 25 anos, mais de 4.500 mortes de migrantes foram registradas no sul do Arizona.

Para reduzir os riscos, a Humane Borders mantém pontos de água em áreas do deserto. Os locais podem ser utilizados por qualquer pessoa exposta às condições extremas da região.

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