Católicos brasileiros defendem uso do preservativo

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Padres e freiras distribuem camisinhas em áreas carentes

Depois da mudança histórica nas normas da Igreja Católica, que autorizou o uso de preservativos dentro do casamento, caso um dos parceiros esteja contaminado pelo vírus HIV, o Vaticano está sendo novamente desafiado – e no Brasil: padres e freiras que atuam em pastorais e Organizações Não-Governamentais têm distribuído camisinhas num trabalho de prevenção junto à população carente e, o que é mais importante, e grupos de risco.

Uma dessas ONGs é a Aids: Apoio, Vida, Esperança (Aave), de Goiânia, dirigida pela freira Margaret Hosty, que está ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Há anos ela acolhe doentes de Aids para dar apoio psicológico e atuar também na prevenção e, até hoje, a Igreja formou cerca de 13 mil agentes de Pastoral da Aids. Outras entidades que também atuam neste campo são a ONG Bem-me-quer, na periferia de São Paulo e coordenada por um outro padre, e o Instituto dos Missionários da Consolata, que cuida de infectados que são filhos de mães portadores do HIV.

“Possivelmente esses religiosos querem dar sua contribuição. É um sinal de que o católico não está alheio a esse problema, mas a solução é mais abrangente do que a distribuição de camisinha”, argumentou o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara. Para ele, se os padres não participarem de ações como essa podem pecar por omissão. O secretário-geral da CNBB acrescentou que o endosso ao uso de preservativos pode desestimular a fidelidade e incentivar a iniciação muito precoce da sexualidade nos jovens.