Começa a fase de barganha na negociação EUA-Coréia do Norte

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Os Estados Unidos e a Coréia do Norte mantiveram na terça-feira conversas “longas e substanciais”, despertando a esperança de que as negociações pluripartites em torno do programa nuclear norte-coreano possam ter progressos.

A Coréia do Norte abriu as negociações na segunda-feira apresentando uma ampla lista de exigências em troca do fim do seu programa de armas nucleares, a começar pela suspensão das restrições financeiras dos EUA e das sanções da ONU.

Mas o negociador-chefe norte-americano, Christopher Hill, havia dito que só no segundo dia as negociações começariam para valer.

“Hoje `terça-feira` houve uma discussão muito mais substancial”, disse ele a jornalistas sobre as reuniões bilaterais entre as delegações dos EUA e da Coréia do Norte.

“Houve certamente uma disposição de ouvir e abordar algumas das nossas idéias”, acrescentou.

As conversas ocorreram durante e depois de um banquete noturno que incluiu as negociações das duas Coréias, dos EUA, da China, do Japão e da Rússia — todos os seis países que participam da negociação.

O processo acaba de ser retomado, após mais de um ano de suspensão, ocorrida numa reação da Coréia do Norte a restrições dos EUA contra supostos crimes financeiros do regime comunista. Em outubro, a Coréia do Norte testou armas nucleares pela primeira vez, atraindo sanções da ONU, mas o regime norte-coreano parece disposto a abandoná-las em troca de ajuda e garantias de segurança.

O negociador japonês, Kenichiro Sasae, manteve a esperança de alguma flexibilidade nos próximos dias, mas alertou que a posição norte-coreana continua muito distante da dos demais. “A esta altura não posso dizer nada otimista. Mas espero que a Coréia do Norte responda de forma mais positiva amanhã”, disse Sasae a jornalistas.

Mesmo a China, sempre pronta a apontar progressos nas negociações que recebe desde 2003, admitiu diferenças, “algumas bastantes claras, e algumas disputas bastante agudas”, no dizer de Qin Gang, porta-voz da chancelaria.

Uma delegação do Departamento do Tesouro dos EUA se reuniu separadamente durante três horas com autoridades bancárias da Coréia do Norte para discutir as restrições impostas por Washington contra supostas atividades de falsificação de dólares e narcotráfico por parte de Pyongyang.

Daniel Glaser, que chefia essa delegação norte-americana, disse que o encontro foi “uma boa oportunidade para uma troca inicial de opiniões”. Segundo ele, será necessário “um processo de longo prazo, pelo qual trabalharemos para tratar de todas as preocupações fundamentais subjacentes”. Uma nova reunião está marcada para quarta-feira.

Outros enviados sugeriram que a Coréia do Norte pode reduzir suas exigências nos próximos dias. O sul-coreano Chun Yung-woo disse que a longa lista apresentada pelo Norte era um recurso previsível para que o regime reforçasse sua posição de negociação, e não uma oferta final.

Hill disse esperar que a atual sessão termine nesta semana, mas o porta-voz chinês Qin afirmou que não há prazo. “Eu sugiro que os participantes exercitem mais a paciência, e é melhor que treinem para uma maratona.”