Doces!

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Ainda bem que não tenho tendência a engordar – só agora depois dos 50 é que a barriguinha começou a aparecer, mas é por pura vagabundagem mesmo. Não tenho o hábito de encher a cara de comida na refeições, mas quando vejo a sobremesa, aí me descontrolo. Perco o apetite pelos salgados assim que descubro que a sobremesa é muito boa.

O engraçado é que minha “larica” por doces é maior depois do jantar. E invariavelmente tenho uma azia enorme no meio da noite quando exagero na dose de doces (tipo, sempre). A vontade às vezes é tão grande que se não tiver nada pronto, abro uma lata de leite condensado e misturo com limão, de forma que coagula e fica parecido com recheio de key lime pie–a torta de limão dos americanos. Se não tenho leite condensado, assalto o quarto da Bianca, ela sempre tem algo doce guardado (não parece minha filha, não gosta de doce!).

Dou preferência a doces onde o trabalho seja só de abrir a embalagem, não faço nada na cozinha por preguiça e ansiedade de comer logo. De veeezzz em quando faço brigadeiro no microondas, mas para comer de colher já que não tenho paciência de fazer bolinha. O problema é que me queima a boca, e demora muito para ficar pronto. É, é… teria que esperar esfriar, mas a lombriga fala mais alto que a razão.

Apesar do lado engordativo e perigoso (tem casos de diabetes na minha família), acho que essa minha gula por doces me previne de virar alcoólatra. Se eu tiver uma barra de chocolates e uma garrafa de vinho em casa, fico com o chocolate – e meu fígado agradece por eu não misturar os dois. Eu gosto muito de chocolate, mas minha perdição são as paçoquinhas… essa desgraça farelenta é boa demais! Eu amava a paçoca da marca Amor, mas como tudo mais que era uma delicia, a qualidade caiu e vagabundaram sua composição. Antigamente ela era quase como farinha de trigo, bem fininha e fazia uma bagunça quando comíamos e falávamos ao mesmo tempo (de propósito, claro), agora ela é igual às outras de rolo, só que quadrada. Outro doce que virou uma porcaria são os Dadinhos – antes eram no formato de dado, macios de forma que podíamos juntar um monte e comer como se fosse uma bola (sim, eu era um porcalhão). Agora é um treco achatado, nem devia mais se chamar dadinho.

A única diferença entre minha gula por doces de hoje e a da infância, é que hoje eu não curto balas e chicletes. Devo ter estourado minha cota, comia um monte dessas coisas o dia todo. Fazíamos campeonato para ver quantos chicletes Ping-Pong ou Ploc cabiam na boca – não sei se eles eram maiores que os chicletes de hoje ou minha boca que era menor. O gosto não durava muito, então quando começavam a ficar meio emborrachados e sem graça depois de algumas horas de mastigação, a gente enchia uma colher de açúcar e metia na boca. Nosso dentista deve ter pago a escola de seus filhos só com as minhas consultas.

Meu pai sempre trazia chocolates para mim e meus irmãos na volta do trabalho. Um dia o pentelho do meu irmão José–que sabia como nosso pai era–perguntou se ele podia variar e trazer algo diferente do Diamante Negro de sempre – aí ele bufou e nunca mais trouxe nada!